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Em um mundo onde a geopolítica se entrelaça com eleições domésticas como uma teia de aranha venenosa, o Brasil se vê novamente no centro de uma comedia diplomática. De um lado, os herdeiros do bolsonarismo – Eduardo e Flávio Bolsonaro – trotando pelo exterior como lobistas de luxo, cortejando radicais da direita americana para influenciar as urnas de outubro. Do outro, o governo Lula, com sua eterna sanha antiamericana, flertando com regimes que fariam corar até o mais cínico dos realistas políticos. Ambos os lados merecem a mesma dose de acidez critico: são sintomas de uma elite política que trata o país como quintal particular, sacrificando soberania e bom senso no altar de ideologias falidas.
Começando pelos Bolsonaro, cujas andanças internacionais cheiram a desespero eleitoral disfarçado de estratégia global. Eduardo e Flávio, desde fevereiro, têm promovido reuniões com líderes da direita radical em diversos países, alinhando-se à gestão Trump em uma dança que o Palácio do Planalto vê – com razão – como tentativa de interferência externa. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA? Uma jogada que atende perfeitamente à agenda bolsonarista de segurança pública “durona”, mas que ignora os riscos econômicos para o Brasil, como sanções que poderiam congelar transações e afetar o Pix. A visita de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado e crítico ferrenho de Lula e do STF, para “entender” o sistema eleitoral brasileiro? Pura provocação, um constrangimento diplomático que expõe a família Bolsonaro como marionetes dispostas a vender a soberania por um aceno de Trump. Flávio, pré-candidato ao Planalto, viaja para a posse de José Antonio Kast no Chile enquanto ignora sua própria pré-campanha interna – uma prioridade invertida que revela o oportunismo: reclamar da pena do pai (por tentativa de golpe) para angariar apoio estrangeiro, cogitando Eduardo como chanceler. Os bolsonaristas argumentam que isso é “construir coalizões” e “parcerias bilaterais”, como defendeu o senador Jorge Seif (PL-SC). Mas, na prática, é uma traição velada à democracia brasileira, convidando potências externas a questionar nossas eleições, como em 2022. Se Trump “não gosta de perdedores”, por que os Bolsonaro insistem em se comportar como tais, mendigando apoio de um presidente mais focado no Irã do que no Hemisfério Sul?
Agora, vire a moeda para o lado petista, e o fedor de hipocrisia é igualmente nauseante. Lula e a esquerda brasileira, em sua obsessão antiamericana – que vê os EUA como o “Grande Satã”, igualando a retórica iraniana –, alinham-se a qualquer tirano odioso desde que ele desafie Washington e o “Ocidente clássico”. As bases para essa crítica são sólidas e repetidas: Lula condenou os ataques do Hamas em outubro de 2023, mas rapidamente escalou para acusar Israel de “genocídio” em Gaza, comparando-o ao Holocausto nazista em fevereiro de 2024, o que gerou uma crise diplomática e dividiu até sua própria base. Ele defendeu a inclusão da Palestina em fóruns internacionais, mas sua proximidade com o Irã – enviando o vice-presidente à posse de Masoud Pezeshkian em 2024, onde Ismail Haniyeh (líder do Hamas) estava presente – cheira a conivência indireta com grupos reconhecidamente terroristas. Sobre as FARC? Lula apoia governos de esquerda na América Latina, como o de Gustavo Petro na Colômbia, que integrou ex-guerrilheiros das FARC em negociações de paz, enquanto critica intervenções americanas que visam narcoterrorismo. Adicione alinhamentos com regimes anti-ocidentais: condenações veementes aos ataques dos EUA à Venezuela de Maduro, defesa da “zona de paz” na região contra “imperialismo yankee”, e laços com Cuba, Nicarágua e até o Irã em fóruns como BRICS. Lula alerta para “invasões” americanas via classificação de facções como terroristas, mas ignora que seu antiamericanismo o leva a abraçar ditadores que desafiam democracias tradicionais – Maduro com sua repressão, Cuba com seu embargo autoimposto de liberdades. E em termos de corrupção? Aqui a esquerda “vence” em todos os aspectos: dos escândalos da Lava Jato, que envolveram bilhões em propinas, à impunidade seletiva que Lula tanto critica nos outros, mas pratica em casa. É uma esquerda que posa de defensora da soberania, mas vende o Brasil ao melhor ditador anti-EUA disponível.
Ambos os campos – bolsonarismo e lulismo – são cúmplices dessa polarização tóxica, onde a política externa vira ferramenta de sobrevivência eleitoral, não de interesse nacional. Os fatos gritam: de um lado, interferência yankee via Trump; do outro, flertes com o eixo antiocidental. O resultado? Um Brasil isolado, economicamente vulnerável e diplomaticamente ridicularizado.
Mas há uma saída, e ela não está nesses velhos caciques. Novos nomes despontam no cenário político, como Renan Santos, do partido Missão ligado ao MBL, que representam uma alternativa fresca, focada em reformas sem o ranço ideológico. Dele falaremos em outro momento. Por ora, resta apenas o lamento clássico: o Brasil, como uma república exaurida por vícios antigos, segue gerando os mesmos líderes deformados que a corroem por dentro, sem força para parir algo novo e saudável. Enquanto isso perdurar, a nação continuará à deriva, entre o oportunismo de um lado e a subserviência ideológica do outro.


