JSNEWs – A cruzada de Donald Trump contra a imigração ilegal está colocando as autoridades locais numa corda bamba: ou se alinham às suas políticas migratórias, ou enfrentam processos judiciais, multas e até de prisão. É um peso que recai sobre aqueles que, muitas vezes, só querem “proteger suas comunidades de um jeito diferente do que manda Washington”.
Mais de 20 estados americanos têm resistido a colaborar com os agentes federais de imigração. Essa escolha de não se curvar às ordens do governo federal ganhou um nome forte: “Santuário para imigrantes”.
Uma análise da Associated Press mostrou que até mesmo entre os estados liderados por democratas que fazem oposição à Casa Branca de Trump, estão começando a ceder em alguns pontos diante da pressão republicana.
Um exemplo disso foi quando o prefeito de Nova York, Eric Adams (Democrata) disse durante uma entrevista à Fox News ao lado de Tom Homan — um dos arquitetos da política migratória de Trump —, que trabalharia com o governo federal para endurecer as leis contra imigrantes ilegais. Ele foi além e sinalizou que não resistiria às ações do ICE e que Nova York, famosa por ser uma “cidade santuário”, e que poderia rever suas regras em relação a “politica de acolhimento”‘.
A declaração de Adams dividiu opiniões numa cidade que já foi símbolo de portas abertas.
A declaração de Adams dividiu opiniões numa cidade que já foi símbolo de portas abertas.
Em Massachusetts, a governadora Maura Healey (Democrata) também trouxe alguns nuances a esse debate.
Com um tom cuidadoso, ela disse que vê com preocupação os esforços de Trump para deter imigrantes, mas não hesitou em apoiar a prisão de “criminosos que ameaçam nossas comunidades”. Suas palavras vieram logo após uma operação do ICE em janeiro, que detiveram alguns imigrantes com antecedentes criminais em Boston e Chelsea. Para muitos, foi um lembrete de que até os críticos de Trump podem encontrar pontos de acordo.
Com um tom cuidadoso, ela disse que vê com preocupação os esforços de Trump para deter imigrantes, mas não hesitou em apoiar a prisão de “criminosos que ameaçam nossas comunidades”. Suas palavras vieram logo após uma operação do ICE em janeiro, que detiveram alguns imigrantes com antecedentes criminais em Boston e Chelsea. Para muitos, foi um lembrete de que até os críticos de Trump podem encontrar pontos de acordo.
Enquanto isso, em algumas localidades do país, já existem leis que proíbem as políticas de santuário. Mas isso não basta para certos legisladores, que agora querem punir prefeitos, vereadores e funcionários públicos que ousem nadar contra a corrente.
Na Geórgia, um estado que esta alinhado a administração Trump, o senador republicano Blake Tillery está liderando essa ofensiva para quem adotar políticas de santuário.
O senador apresentou um projeto que já passou pelo Senado estadual e agora aguarda o sinal verde da Câmara, de acordo com essa proposta, as autoridades locais são obrigadas a colaborar com o governo federal na identificação e na detenção de indocumentados e quem obedecer, perdera verbas estaduais ou poderá responder na justiça. O recado é claro: ou colabora, ou sofre as consequências.
O senador apresentou um projeto que já passou pelo Senado estadual e agora aguarda o sinal verde da Câmara, de acordo com essa proposta, as autoridades locais são obrigadas a colaborar com o governo federal na identificação e na detenção de indocumentados e quem obedecer, perdera verbas estaduais ou poderá responder na justiça. O recado é claro: ou colabora, ou sofre as consequências.
Na Louisiana, o choque entre visões opostas fica ainda mais evidente. O estado que é governado pelo republicano Jeff Landry, tem uma lei que força a polícia local a trabalhar com o ICE. Mas em Nova Orleans, a prefeita democrata LaToya Cantrell e o xerife da cidade seguem outro caminho.
O xerife só aceita colaborar com agentes federais em casos graves, como assassinato ou estupro mantendo viva a política de “cidade santuário”. Isso irritou a procuradora-geral Liz Murrill, que abriu um processo contra ele, alegando desobediência. Ela diz estar do lado da lei, mas o embate entre o estado e a cidade parece estar longe de acabar.
Na Dakota do Sul, o governador republicano Larry Rhoden assinou uma lei “anti-santuário” assim que tomou posse, seguindo os passos de Kristi Noem, a escolhida de Trump para liderar o Departamento de Segurança Interna. A medida proíbe qualquer política que obstrua a comunicação com o governo federal sobre imigração, mas não estabelece multas e outras medidas punitivas.
Já na Flórida, Ron DeSantis não mediu esforços. Uma lei recente dá ao procurador-geral o poder de processar e aplicar multas de até cinco mil dólares contra as comunidades que não colaborarem com as autoridades migratórias.
No Tennessee, a coisa fica ainda mais pesada, lá as autoridades locais que votarem a favor de políticas de santuário podem pegar até seis anos de prisão. É uma ameaça tão dura que alguns advogados já questionam se essa lei é contraria a Constituição americana.


