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Washington, 30 de março de 2026 — O Pentágono está elaborando planos para operações terrestres que podem durar semanas no território iraniano, incluindo incursões possivelmente direcionadas à Ilha de Kharg, o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. A informação foi revelada pelo jornal The Washington Post* em reportagem publicada no último sábado (28 de março), citando fontes oficiais americanas.
De acordo com o Washington Post, os planos não preveem uma invasão em grande escala ou ocupação prolongada do Irã. Em vez disso, tratam-se de raids (incursões rápidas) conduzidos por forças de operações especiais e tropas de infantaria convencional. Entre os alvos discutidos internamente pela administração Trump estão a captura temporária da Ilha de Kharg — por onde passa cerca de 90% a 95% do petróleo bruto exportado pelo Irã — e ataques a posições costeiras próximas ao Estreito de Ormuz, com o objetivo de destruir armamentos que ameaçam a navegação comercial e militar.
A ilha, pequena (cerca de 20 km²), localizada a aproximadamente 25-30 km da costa iraniana no Golfo Pérsico, funciona como o coração da economia energética de Teerã. Tanques de armazenamento e terminais de carregamento permitem o embarque de supertankers, tornando-a um ativo estratégico vital. Fontes consultadas pelo Post indicam que discussões sobre a possível tomada de Kharg ocorrem há pelo menos um mês, como forma de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz ou aceitar condições para o fim do conflito.
Milhares de soldados americanos e fuzileiros navais (Marines) estão sendo deslocados para o Oriente Médio nas últimas semanas, incluindo unidades da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército e a 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais. Esse reforço alimentou especulações de que o presidente Donald Trump estaria posicionando forças para uma escalada, caso decida autorizar a operação. No entanto, o Washington Post ressalta que Trump ainda não aprovou nenhum plano de ação terrestre. Uma porta-voz da Casa Branca afirmou que o Pentágono apenas prepara opções para dar ao comandante-em-chefe “máxima flexibilidade”.
Especialistas militares alertam para os riscos elevados de uma operação desse tipo. A ilha, embora pequena, vem sendo reforçada pelo Irã com defesas aéreas, drones, minas e tropas adicionais. Qualquer incursão exporia soldados americanos a fogo terrestre, mísseis, drones e explosivos improvisados, marcando uma fase “significativamente mais perigosa” da guerra, que já entra em seu segundo mês.
Trump tem feito declarações ambíguas sobre o tema. Em entrevista recente ao Financial Times, ele afirmou que “talvez tomemos Kharg Island, talvez não. Temos muitas opções” e sugeriu que seria possível capturá-la “muito facilmente”, embora tenha admitido que a operação exigiria presença americana “por algum tempo”. O presidente também mencionou o desejo de “tomar o petróleo” iraniano como alavanca estratégica.
Do lado iraniano, autoridades alertam que qualquer tentativa de invasão terrestre será recebida com forte resistência, e o regime tem reforçado as defesas em Kharg e ao longo da costa. Analistas observam que uma operação bem-sucedida poderia dar aos EUA poder de barganha significativo, mas também arrisca transformar o conflito em uma guerra de atrito custosa em vidas e recursos.
A reportagem do Washington Post surge em um momento de incerteza: enquanto Trump sinaliza que alguns objetivos militares estão próximos de serem alcançados e menciona a possibilidade de “encerrar” a operação, o preparativo para ações terrestres indica que a Casa Branca mantém todas as opções sobre a mesa. A decisão final sobre o envio de tropas para solo iraniano — especialmente para Kharg — permanece nas mãos do presidente e pode definir o rumo da guerra nas próximas semanas.
Até o momento, não há confirmação de que uma operação terrestre ocorra ainda esta semana, mas o avanço dos preparativos e o reforço contínuo de tropas mantêm o cenário em alerta máximo.


