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Framingham, Massachusetts, 27 de janeiro de 2026 – O ex-presidente da FIFA, Sepp Blatter, juntou-se ao coro crescente de vozes internacionais que defendem o boicote de torcedores à Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, citando as políticas do presidente Donald Trump em matéria de imigração, segurança e relações exteriores como razões para evitar o país-sede.
Em uma postagem no X nesta segunda-feira (26), Blatter endossou as declarações do especialista suíço em anticorrupção Mark Pieth, feitas em entrevista ao jornal suíço Der Bund na semana passada. Pieth, que presidiu o Comitê Independente de Governança para reformas na FIFA há uma década, foi taxativo: “Se considerarmos tudo o que discutimos, há apenas um conselho para os torcedores: fiquem longe dos EUA! Vocês verão melhor pela TV mesmo. E, ao chegarem, preparem-se: se não agradarem às autoridades, serão colocados no próximo voo de volta para casa. Se tiverem sorte.”
Blatter, que comandou a FIFA de 1998 a 2015 (período marcado por escândalos de corrupção que levaram à sua renúncia), citou Pieth diretamente e acrescentou: “Acho que Mark Pieth está certo ao questionar essa Copa do Mundo.” A declaração reforça preocupações de figuras do futebol global sobre a adequação dos EUA como anfitrião, em meio à co-organização do torneio com Canadá e México, de 11 de junho a 19 de julho de 2026.
As críticas concentram-se nas ações da administração Trump: expansão de proibições de viagem que afetam torcedores de países qualificados, como Senegal, Costa do Marfim (anunciadas em dezembro), Irã e Haiti (já incluídos em restrições anteriores), sob alegação de “deficiências em triagem e verificação”. Além disso, citam a postura expansionista em relação à Groenlândia, táticas agressivas contra imigrantes e manifestantes de imigração em cidades americanas – especialmente Minneapolis, onde incidentes recentes envolvendo agentes da ICE e da Border Patrol resultaram em mortes e protestos intensos.
Oke Göttlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, já havia alimentado o debate na sexta-feira, em entrevista ao Hamburger Morgenpost: “Chegou a hora de considerar seriamente o boicote à Copa do Mundo.” Göttlich comparou a situação atual a boicotes olímpicos da Guerra Fria, questionando a incoerência: “O Qatar era político demais para todos, e agora somos completamente apolíticos? Isso me incomoda profundamente.”
O apelo de Blatter, um dos nomes mais controversos do futebol mundial (suspenso pela FIFA em 2015 por pagamento polêmico a Michel Platini, mas posteriormente absolvido pela justiça suíça), amplifica o debate a poucos meses do torneio. Enquanto a FIFA e os organizadores mantêm o calendário, o movimento de boicote ganha tração entre torcedores, especialistas e federações europeias, transformando a Copa de 2026 – que deveria ser uma celebração global – em palco de tensão política.
Para mais atualizações sobre o Mundial de 2026 e o impacto das políticas americanas, acompanhe fontes oficiais da FIFA e veículos internacionais.
Relembre: Sepp Blatter é surpreendido por comediante jogou dólares sobre ele em protesto durante coletiva na sede da Fifa em 20 de julho de 2015


