
Minneapolis, 8 de janeiro de 2026 — O agente da ICE que atirou e matou Renee Nicole Good, 37 anos, mãe de três filhos e poeta premiada, foi identificado como Jonathan Ross, 43 anos e é oficial de deportação da Immigration and Customs Enforcement, lotado no escritório de St. Paul, Minnesota. Está na agência desde pelo menos 2016, segundo documentos judiciais. Ele serviu no Iraque. O Intercept identificou uma foto antiga em página do Facebook ligada ao pai dele, mostrando um homem armado com rifle de assalto e legenda “Jon Ross in Iraq“. A imagem se assemelha ao agente visto em vídeos do incidente. Ross morou perto da base militar de Fort Bliss, no Novo México, na fronteira com o Texas.
Há apenas sete meses, em 17 de junho de 2025, Jonathan viveu o que muitos agentes chamam de pior pesadelo. Em Bloomington, durante uma prisão rotineira, o suspeito Roberto Carlos Munoz-Guatemala acelerou o carro de repente. O braço de Ross ficou preso na janela. Ele foi arrastado por quase 100 metros, o asfalto rasgando sua pele, o corpo batendo no chão enquanto o veículo zigzagueava para se livrar dele. Cortes profundos nos braços e mãos — 20 pontos no braço direito, 13 na esquerda.
Munoz foi condenado por agressão a oficial federal. Mas cicatrizes não desaparecem só porque a pele fecha.No dia a dia, Ross vive em silêncio. Mora fora de Minneapolis, em uma casa discreta. Jornalistas bateram na porta de um endereço ligado a ele: ninguém atendeu. Nenhum carro na garagem. Nenhum sinal de vida visível. Descrito por colegas federais como “agente experiente”, ele acorda cedo, dirige até St. Paul, participa de briefings, veste o colete, verifica a arma.
Opera em comunidades imigrantes onde olhares hostis são rotina. Em uma cidade como Minneapolis — ainda ferida por George Floyd —, ser agente da ICE já é carregar um peso invisível. Para Ross, somava-se o eco constante: um carro acelerando pode ser fuga… ou arma.
Dois desconhecidos: Um encontro que ninguém queria e uma tragédia que ninguém esquece
Na manhã nevada de quarta-feira, durante uma grande operação federal, ele estava na linha de frente. Agentes mascarados. Veículos atolados. Moradores se aproximando. Renee Good, voltando da escola do filho, parou seu Honda Pilot na rua errada, na hora errada. Segundos depois, Ross disparou três vezes. Ela morreu no local.
Autoridades federais defendem autodefesa: o carro teria vindo em direção aos agentes. Vídeos analisados por NYT, Guardian e CNN mostram o veículo manobrando devagar para sair — sem aceleração clara, sem contato significativo. Testemunhas falam em ordens confusas. O prefeito Jacob Frey chamou a narrativa federal de “bullshit”.
A investigação é exclusiva do FBI. Autoridades locais foram excluídas da cena. Protestos tomam as ruas. Vigílias com velas que agentes chegaram a apagar.
Jonathan Ross, 43 anos. Soldado que viu o Iraque. Agente que sentiu o asfalto rasgar sua carne há poucos meses. Homem que, em frações de segundo, viu um fantasma do passado em um SUV marrom. Renee Nicole Good, 37 anos. Mãe que acabara de deixar o filho na escola. Poeta que escrevia sobre a vida.
Fatos em apuração.


