
WASHINGTON / SÃO PAULO (JSNews) — Inspirados por uma tendência observada nos Estados Unidos, onde uma pesquisa recente da Gallup revela que 56% da Geração Z se identifica como independente, jovens ao redor do mundo estão rejeitando partidos tradicionais e impulsionando movimentos descentralizados por causas específicas. Essa dinâmica, marcada por insatisfação com polarizações ideológicas e promessas não cumpridas, sugere um futuro de volatilidade eleitoral e ascensão de novas forças políticas, como visto em protestos globais e eleições recentes.
Nos EUA, conforme a análise da Gallup divulgada em janeiro de 2026, a rejeição aos partidos Democrata e Republicano é impulsionada principalmente por jovens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e Millennials (1981-1996), com mais da metade optando pela independência política. Essa mudança difere de gerações passadas, quando jovens se filiavam mais cedo a siglas estabelecidas. A pesquisa aponta que independentes agora representam 45% dos adultos americanos, com inclinações temporárias para Democratas (47%) devido à rejeição ao presidente Donald Trump, mas sem lealdade duradoura. Jovens impulsionam essa onda, preferindo moderação ideológica (47% dos independentes se dizem moderados), enquanto partidos se polarizam: 60% dos Democratas se declaram liberais e 77% dos Republicanos, conservadores.
Essa tendência é global, com a Geração Z liderando movimentos recentes que transcendem fronteiras partidárias. Em 2025, jovens no Quênia, Bangladesh e Sri Lanka organizaram protestos massivos contra corrupção e desigualdade econômica via redes sociais, derrubando governos sem depender de partidos tradicionais. Na Europa, eleições em França e Alemanha viram jovens votando em outsiders verdes ou populistas, rejeitando o establishment. Na América Latina, incluindo Argentina e Peru, a Gen Z mobilizou-se por reformas climáticas e direitos digitais, com campanhas descentralizadas no TikTok e Instagram superando militâncias antigas. Esses movimentos destacam um ativismo “causa-orientado“: clima, saúde mental, direitos LGBTQ+ e anticorrupção, em vez de lealdade ideológica fixa.
Uma divisão notável emerge por gênero: mulheres da Geração Z tendem a escolher pautas progressistas alinhadas ao socialismo, como igualdade de gênero, direitos reprodutivos e welfare social. Pesquisas globais, incluindo da Gallup e Harvard Youth Poll de 2025, mostram que jovens mulheres nos EUA e Europa são 15-20% mais propensas a se identificar como liberais ou progressistas que os homens da mesma idade. Elas priorizam políticas de proteção social — licença-maternidade, creche subsidiada e leis contra violência de gênero — vistas como “privilégios” por críticos, mas vistas por elas como correções essenciais a desigualdades estruturais. Essa inclinação reflete experiências pessoais: mulheres jovens relatam maior impacto de crises econômicas e climáticas, impulsionando apoio a propostas como o Green New Deal ou renda básica universal. Em contrapartida, homens jovens mostram maior ceticismo, com uma “deriva” para o centro ou direita, influenciado por narrativas online sobre “discriminação reversa” e foco econômico individualista.
O Partido da Geração Z no Brasil
No Brasil, essa tendência de gênero se reflete parcialmente, mas com nuances locais. Uma pesquisa da AtlasIntel de dezembro de 2025 indica que a Geração Z brasileira confia mais em novos partidos do que em siglas tradicionais, com 52% se identificando com a direita e apenas 31% com a esquerda — um alinhamento geral mais conservador que o global. Mulheres jovens, no entanto, são socialistas: estudos como o do Público (2024-2025) e AtlasIntel mostram que elas discordam dos homens em pautas políticas, com maior apoio a temas como políticas igualdade de gênero cotas e ambientalismo, alinhadas a visões sociais. Elas alteram padrões sociais, adiando casamento e priorizando carreiras, o que as torna menos propensas a endossar conservadorismo tradicional.
Quanto ao Partido Missão (número 14, fundado em novembro de 2025 pelo Movimento Brasil Livre — MBL), a Geração Z demonstra apoio crescente, especialmente entre jovens mais à direita. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de dezembro de 2025 revela que Renan Santos, presidente do Missão e pré-candidato à Presidência em 2026, é favorito entre a Gen Z, com 18,6% das intenções de voto nessa faixa etária — atrás apenas de bolsonaristas.
O partido atrai jovens com pautas pragmáticas: combate à corrupção, endurecimento penal e métodos antiterrorismo contra crime organizado, posicionando-se como “nova direita” anti-Centrão e anti-bolsonarismo radical. No entanto, esse apoio parece concentrado em homens jovens, alinhados à direita (52% da Gen Z total), enquanto mulheres progressistas mostram menor adesão, preferindo causas sociais sobre endurecimento penal.
Essa ascensão do Missão entre a Gen Z brasileira reflete o desejo por “ruptura geracional“, mas destaca a divisão de gênero: enquanto mulheres globais e locais inclinam para progressismo socialista, partidos como o Missão capturam o ceticismo masculino com a esquerda tradicional. Analistas preveem que, em 2026, essa volatilidade juvenil pode redefinir o mapa político, com jovens mulheres impulsionando reformas sociais e homens, novas direitas pragmáticas.
(JSNews — Reportagem baseada em dados da Gallup e pesquisas recentes, com análise global e foco no Brasil. Publicada em 12 de janeiro de 2026.)


