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A Casa Branca reagiu às crescentes críticas e medidas adotadas por democratas eleitos contra a Imigração e Alfândega (ICE), incluindo uma ordem executiva e projeto de lei apresentados pela governadora de Massachusetts, Maura Healey, que limitam as atribuições e operações da agência no estado.
“Os agentes da ICE enfrentam um aumento de 1.300% nos ataques, decorrente de acusações perigosas e infundadas proferidas por democratas eleitos. Recentemente, um oficial teve um dedo arrancado a mordidas por um manifestante radical de esquerda”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, em nota ao Herald, em resposta à coletiva de imprensa realizada pela governadora na quinta-feira. “Os agentes da ICE atuam com heroísmo para fazer cumprir a lei e proteger as comunidades americanas. As autoridades locais deveriam colaborar com eles, e não se opor. Quem aponta o dedo para os agentes da lei, em vez de para os criminosos, acaba servindo aos interesses de imigrantes ilegais delinquentes”, acrescentou.
As críticas vindas de Washington surgem após o anúncio, na quinta-feira, de que a governadora Healey assinou uma ordem executiva que proíbe o estado de firmar novos acordos do tipo 287(g) — os quais autorizam policiais locais a auxiliar a ICE na detenção de imigrantes irregulares, entre outras funções — “salvo em casos de necessidade comprovada de segurança pública”. A ordem também veda que agentes federais realizem prisões civis em áreas não públicas de prédios estaduais.
“Para a governadora Healey, trata-se de proteger os cidadãos de Massachusetts e fortalecer a segurança pública. Por isso, ela pediu ao presidente Trump que retire imediatamente a ICE de nossas comunidades, permitindo que as polícias estadual e municipal exerçam suas funções. As táticas imprudentes e inconstitucionais desses agentes federais tornam todos menos seguros: já mataram cidadãos americanos a tiros, detiveram crianças e intimidam pessoas no exercício de direitos constitucionais”, afirmou a porta-voz de Healey, Karissa Hand, em declaração ao Herald. “Em vez de destinar recursos federais para inflar o orçamento da ICE — comprando novos veículos utilitários e custeando viagens às Olimpíadas —, o governo federal deveria investir nas polícias locais e estaduais, em serviços de apoio às vítimas e na FEMA”, completou.
Além disso, Healey apresentou projeto de lei que proíbe a presença de agentes da ICE em tribunais, escolas, hospitais e outros imóveis estaduais; torna ilegal o envio de Guardas Nacionais de outros estados a Massachusetts sem autorização da governadora; e permite que pais organizem previamente a guarda de seus filhos em caso de detenção ou deportação, entre outras medidas.
“Sejamos claros: ao longo do último ano, o presidente Trump enviou agentes federais a comunidades, cidades e estados por todo o país. Semana após semana, mês após mês, vimos esses agentes instigarem, antagonizarem e, sim, provocarem violência nas comunidades”, declarou Healey a jornalistas durante a coletiva em que anunciou as iniciativas. “Todas essas ações da ICE contrastam nitidamente com o excelente trabalho realizado por nossas polícias estadual e municipais. Quero deixar isso muito claro.”
A coletiva de quinta-feira ocorreu um dia após Healey criticar duramente a administração Trump e até agentes individuais da ICE, em resposta a pergunta do sobre se Massachusetts poderia ser considerada um “estado santuário”.
“Massachusetts não é um estado santuário. Já disse isso repetidas vezes. As pessoas podem continuar comprando a retórica absolutamente absurda da administração Trump. Eles não respeitam cidades nem estados, nem a própria polícia, pois contam com um grupo de indivíduos irresponsáveis que, suponho, recebem recompensas de US$ 50 mil”, afirmou a governadora na quarta-feira.
Questionada sobre como não classificar Massachusetts como santuário diante das medidas que acabara de assinar e propor, Healey manteve a posição, reiterando que o estado “não é santuário” e que suas políticas não o transformam em um.
O diretor interino da ICE, Todd Lyons, também se manifestou sobre as ações e declarações recentes de Healey, classificando-as como “politicagem barata”.
“As acusações da governadora contra a ICE são irresponsáveis, inflamatórias e completamente desconectadas da realidade. Em vez de dialogar diretamente com a agência sobre sua missão, treinamento e prerrogativas legais, ela optou pelo teatro político, repetindo alegações falsas que enganam a população e minam deliberadamente a aplicação da lei federal”, disse Lyons.“Os verdadeiros beneficiados pelo trabalho da ICE são os cidadãos de Massachusetts, que ficam mais seguros quando a agência prende e detém assassinos, abusadores sexuais de crianças e outros criminosos violentos que, de outra forma, estariam nas ruas. A governadora prestaria melhor serviço aos seus eleitores se se preocupasse menos com encenações e mais com a segurança pública”, concluiu.
A própria agência respondeu às críticas de Healey e de outros democratas de Massachusetts, sugerindo que o estado age, na prática, como um “estado santuário”, apesar das negativas da governadora.
“Políticos santuários em Massachusetts deixaram claro que preferem se alinhar a imigrantes ilegais criminosos do que proteger cidadãos americanos cumpridores da lei. Não surpreende que queiram dificultar o trabalho de suas polícias em auxiliar agentes federais na prisão de estupradores, assassinos, pedófilos, membros de gangues e terroristas”, declarou um porta-voz da ICE.
Healey não detalhou, na quinta-feira, como seria resolvido um eventual confronto entre polícias locais/estaduais e agentes federais, nem como garantiria o cumprimento de sua ordem executiva. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a ordem seja respeitada e as pessoas protegidas. Digo apenas: ‘não tragam a briga’. Não tragam a briga, está bem? Espero sinceramente que, com o anúncio de hoje, a Casa Branca me ouça, que as autoridades responsáveis me ouçam, e que levemos isso muito a sério”, afirmou a governadora.
Por fim, o presidente Trump declarou, no sábado, que instruiu a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, a não intervir em protestos em cidades administradas por democratas, salvo se as autoridades locais solicitarem ajuda federal, em meio às crescentes críticas à repressão imigratória de sua administração.
Em sua rede social, Trump postou: “Em hipótese alguma participaremos de protestos e/ou tumultos em várias cidades mal administradas por democratas, a menos — e até — que nos peçam ajuda”.


