
Boston, 26 de Janeiro de 2026
As chances de uma paralisação parcial do governo federal no final da semana aumentaram consideravelmente após a morte de Alex Pretti, de 37 anos, ocorrida por disparos de um agente do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) em Minneapolis, no sábado (24 de janeiro de 2026). Trata-se do segundo incidente fatal envolvendo agentes federais no estado em menos de três semanas — o primeiro foi o de Renee Good, no início do mês —, o que intensificou as críticas à conduta do Departamento de Segurança Interna (DHS) e ao financiamento de suas operações.
Na semana passada, o Congresso parecia inclinado a evitar a paralisação: a Câmara já havia aprovado os projetos de apropriações restantes para o ano fiscal de 2026, incluindo o controverso financiamento do DHS. Embora a maioria dos democratas na Câmara tenha votado contra, citando preocupações com o caso anterior, alguns romperam a disciplina partidária, e democratas moderados no Senado pareciam dispostos a apoiar o pacote para cumprir o prazo de sexta-feira (30 de janeiro).
O episódio com Pretti, um enfermeiro de cuidados intensivos em hospital de veteranos, alterou o cenário. Vídeos de testemunhas mostram Pretti inicialmente gravando agentes da Patrulha de Fronteira com o celular; ele se envolve na ação de agentes federais e é borrifado com spray químico, e entra em luta contra outros agentes. Um desses agente remove uma arma de Pretti que tinha licença para porte oculto, disparos são feitos — ao menos dez em menos de cinco segundos, conforme análise forense de áudio veiculada pela ABC News. A administração Trump alega autodefesa, mas as imagens contradizem a narrativa inicial de que Pretti se aproximou armado.
Autoridades estaduais, como o governador Tim Walz (D) e o prefeito Jacob Frey (D), exigiram a retirada de agentes federais de Minnesota e uma investigação completa, mas o DHS assumiu o inquérito e excluiu o Bureau de Apreensão Criminal local. “Estamos em território inexplorado”, disse o superintendente Drew Evans. Trump, em entrevista ao The Wall Street Journal, evitou julgar o agente (“não gosto de tiroteios, mas…”) e afirmou que os agentes sairão “em algum momento”, sem dar um prazo.
Democratas como Chuck Schumer, Mark Warner e Jacky Rosen ameaçaram bloquear o pacote de financiamento se incluir mais recursos ao DHS, elevando as probabilidades de paralisação para cerca de 79% (segundo Polymarket e analistas do Capitol Hill). Alguns republicanos, como Bill Cassidy, chamaram o episódio de “perturbador” e pediram investigação conjunta. O DHS integra um “minibus” de seis projetos; separá-lo exigiria nova votação na Câmara, que está em recesso.
A questionável à paralisação como resposta às ações do ICE
Em meio à escalada de tensões, a estratégia democrata de condicionar o financiamento do DHS a salvaguardas reflete cálculo político oportuno, mas arriscado. Bloquear o governo por causa de incidentes locais como o de Pretti pode forçar transparência, mas tende a punir serviços essenciais e reforçar a narrativa trumpista de “obstrução democrata”. Como em crises passadas, o impasse pode beneficiar Trump, que capitaliza o caos para sustentar sua agenda de “lei e ordem”. Uma saída mais eficaz passaria por reformas legislativas e investigações bipartidárias, em vez de paralisação que agrava divisões sem resolver o cerne do problema: o uso de força por agências federais em contextos civis.


