
Boston, 14 de Janeiro de 2026
Any Lucia Lopez Belloza, caloura de 19 anos no curso de administração de empresas do Babson College, em Massachusetts, planejava uma surpresa emocionante para a família no Texas durante o feriado de Ação de Graças. No dia 20 de novembro de 2025, ao tentar embarcar em um voo doméstico no Aeroporto Internacional Logan, em Boston, a jovem foi detida por agentes de imigração. Dois dias depois, em 22 de novembro, ela foi deportada para Honduras — país onde nasceu e que deixou aos 8 anos de idade, em 2014, ao chegar aos Estados Unidos com a família em busca de asilo.
A detenção ocorreu com base em uma ordem de remoção final emitida por um juiz de imigração em 2015, quando ela tinha apenas 9 anos, após a negativa do pedido de asilo familiar. Autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) afirmam que a jovem e sua família permaneceram no país de forma irregular por mais de uma década, ignorando as consequências inevitáveis de uma ordem judicial que permaneceu em vigor sem ser cumprida. Esse tipo de ação, segundo o governo, faz parte de uma política de enforcement priorizado contra indivíduos com ordens finais de remoção — e não de detenções aleatórias em aeroportos ou buscas indiscriminadas, como por vezes retratado em reportagens críticas.
Em audiência realizada na terça-feira (13 de janeiro de 2026), no tribunal federal de Boston, o assistente do procurador dos EUA, Mark Sauter, representando a administração Trump, admitiu publicamente a violação de uma ordem judicial emergencial emitida horas após a detenção — que proibia a remoção da jovem ou sua transferência para fora de Massachusetts. “Em nome do governo, queremos nos desculpar sinceramente”, afirmou Sauter, segundo relatos da imprensa local. Ele atribuiu o equívoco a um agente do ICE que não sinalizou corretamente a ordem de suspensão da remoção.
O governo destacou que, exceto por esse episódio isolado, tem histórico de cumprimento de decisões judiciais semelhantes. A defesa da estudante, liderada pelo advogado Todd Pomerleau, havia apresentado uma moção por desacato ao tribunal, o que levou à admissão do erro. Pomerleau contesta a existência ou a validade da notificação da ordem de 2015 e argumenta que a deportação rápida configurou violação de direitos constitucionais.
O juiz federal Richard Stearns, responsável pelo caso, expressou ceticismo quanto à aplicação de sanções por desacato civil, mas redirecionou o debate para soluções práticas que permitam o retorno da jovem aos EUA. Ele descreveu o incidente como um “emaranhado burocrático” e sugeriu vias como a emissão de um visto de estudante pelo Departamento de Estado — considerando que Lopez Belloza possui bolsa integral no Babson College — ou a reabertura do processo de remoção com possibilidade de liberdade condicional ou readmissão.
Atualizações recentes indicam que a estudante, atualmente em Honduras na casa dos avós, tem acompanhado as aulas da universidade de forma remota enquanto o processo avança. Não há decisão final sobre seu retorno, e o juiz deve avaliar opções nos próximos dias ou semanas.
O caso ganhou repercussão por ilustrar as tensões no sistema imigratório americano, especialmente em meio à política de deportações aceleradas da atual administração, que ampliou o foco em indivíduos com ordens antigas de remoção. Enquanto a defesa enfatiza a surpresa da jovem e a ausência de conhecimento prévio da ordem, autoridades federais sustentam que a medida seguiu um mandado judicial válido e que o erro foi pontual, sem alterar o cumprimento geral das prioridades de enforcement.
O desfecho permanece incerto, mas a rara admissão de erro pelo governo e as sugestões do juiz abrem perspectiva de resolução que preserve os estudos da jovem.


