JSNews Washington, 26de janeiro de 2026
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), sob a liderança da procuradora-geral Pam Bondi, enviou uma carta ao governador de Minnesota, Tim Walz, exigindo acesso aos registros eleitorais do estado, dados de programas de assistência social e a revogação de políticas de “santuário” para imigrantes. A demanda surge no contexto de uma operação intensificada de imigração federal em Minneapolis, marcada por tiroteios fatais envolvendo agentes da Patrulha de Fronteira e do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), e é apresentada como uma condição para restaurar a “lei e a ordem” no estado.
A carta, datada de 24 de janeiro de 2026, foi enviada poucas horas após um tiroteio em que agentes federais mataram Alex Pretti, um cidadão americano e enfermeiro de UTI, em Minneapolis. Esse incidente segue outro tiroteio fatal no início do mês, que vitimou Renee Good. As operações fazem parte da “Operation Metro Surge“, lançada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) em dezembro de 2025, que resultou em mais de 3.400 prisões de criminosos, membros de gangues e supostos terroristas, segundo o governo federal.
As Demandas Específicas da Administração Federal
Na carta, Bondi delineia três demandas principais para que Minnesota “restaure a lei e a ordem” e apoie os esforços federais de imigração:
- 1. Compartilhamento de Dados de Assistência Social: O estado deve fornecer todos os registros de programas como Medicaid e o Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP) ao governo federal. O motivo alegado é investigar fraudes financeiras em larga escala, que, segundo Bondi, estão “fora de controle” em Minnesota e implicam na segurança eleitoral e no desperdício de fundos dos contribuintes.
- 2. Revogação de Políticas de Santuário: Minnesota deve eliminar leis e políticas que limitam a cooperação com o ICE, incluindo a honra a detentores de imigração e permissão para entrevistas em prisões estaduais. Bondi argumenta que essas políticas ignoram a lei federal de imigração, forçando agentes a operar sozinhos e aumentando riscos, como um aumento de 1.300% em ataques a oficiais do ICE e 3.200% em ataques veiculares.
- 3. Acesso aos Registros Eleitorais: A Divisão de Direitos Civis do DOJ deve ter permissão para acessar os voter rolls (listas de eleitores) para verificar conformidade com a lei federal, conforme autorizado pela Lei dos Direitos Civis de 1960. Isso visa garantir eleições “livres e justas” e restaurar a confiança na integridade do processo, em meio a alegações de fraude eleitoral, como o caso de residentes de Nevada acusados de fraude em registros de Minnesota.
Bondi enfatiza que essas medidas são “soluções de senso comum” para combater o “caos” causado pela imigração ilegal descontrolada, incluindo crimes violentos, tráfico de drogas e violações de liberdades religiosas, como o incidente em que manifestantes anti-ICE interromperam um culto na Cities Church em Minneapolis. Um porta-voz do DOJ rebateu críticas democratas, chamando-as de “mentiras descaradas” e afirmando que os políticos estão “do lado de criminosos imigrantes ilegais”.
Motivos da Administração Trump: Integridade Eleitoral e Aplicação da Lei
A administração federal, liderada pelo presidente Donald Trump, justifica as demandas como parte de uma agenda mais ampla para reforçar a aplicação da lei de imigração e combater fraudes. Bondi acusa autoridades de Minnesota de retórica anti-policial que coloca agentes em perigo, comparando o ICE a “Gestapo moderno” em declarações de Walz e outros. O foco em dados eleitorais ecoa preocupações recorrentes sobre votação por não-cidadãos, embora estudos independentes não indiquem fraudes em larga escala. O DOJ argumenta que o acesso aos voter rolls é essencial para investigar violações eleitorais e restaurar a fé pública, especialmente em um estado com políticas de santuário que, segundo eles, facilitam crimes e fraudes.
Essa pressão por dados sensíveis não é nova: o DOJ já processou Minnesota por práticas de registro no mesmo dia, mas esta é a primeira vez que liga explicitamente a imigração a demandas eleitorais.
Reações e Críticas de Minnesota
Autoridades locais rejeitaram veementemente as demandas. O secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, chamou a carta de “tentativa ultrajante de coerção” para acessar dados privados de cidadãos americanos, violando leis estaduais e federais. Simon destacou que Walz não tem autoridade sobre registros eleitorais ou dados de bem-estar, e que demandas semelhantes foram rejeitadas anteriormente.
Democratas e defensores de direitos eleitorais, como secretários de estado do Arizona, Colorado e Maine, condenaram a ação como um “ataque total à democracia” e “chantagem”, argumentando que representa uma intrusão ilegal na soberania estadual, viola a privacidade dos eleitores e carece de base legal. Críticos veem isso como uma tática para suprimir votos em comunidades imigrantes e minar a confiança nas eleições, especialmente em um estado com grande população de imigrantes somalis e latinos.
O escritório de Walz descreveu as ações federais como uma “ocupação sem precedentes e mortal”, pedindo o fim da aplicação intensificada de imigração. Um tribunal em Minneapolis está avaliando se a presença maciça de agentes federais viola a Constituição.
Contexto Mais Amplo
Essa controvérsia reflete tensões crescentes na política de imigração da administração Trump, que prioriza deportações e cooperação estadual. Enquanto o DOJ defende as medidas como proteção aos americanos, opositores temem erosão de direitos civis e politização de dados eleitorais. A situação pode levar a ações judiciais adicionais, com impactos potenciais nas eleições futuras.
Fontes consultadas incluem relatórios da Fox News, The New York Times, CBS News e Democracy Docket, representando perspectivas de ambos os lados do espectro político.
O JSNews continua monitorando os desdobramentos.


