
Los Angeles, 12 de janeiro de 2026 — Na noite de domingo (11), o tapete vermelho da 83ª edição do Globo de Ouro no Beverly Hilton voltou a exibir um toque de ativismo político após uma cerimônia de 2025 mais discreta. Várias celebridades optaram por pins pretos e brancos com as frases “BE GOOD” e **“ICE OUT, em tributo a Renée Nicole Good, a cidadã americana de 37 anos morta a tiros por um agente da Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Minneapolis, no dia 7 de janeiro.
Entre os que exibiram o acessório estavam Mark Ruffalo (que posou com o pin bem visível no paletó e fez declarações fortes contra o governo), a comediante Wanda Sykes, Natasha Lyonne, Jean Smart (que levou o pin ao palco ao receber seu prêmio por Hacks) e até Ariana Grande. O gesto, coordenado por ativistas como Nelini Stamp (Working Families Power) e Jess Morales Rocketto (Maremoto), distribuiu os pins em festas pré-evento — uma campanha descrita como “grassroots” pelos organizadores, mas que rapidamente ganhou visibilidade no ambiente mais glamoroso da temporada de premiações.
Renée Nicole Good, poeta, escritora, mãe de três filhos (incluindo um de seis anos) e formada em Inglês, foi baleada enquanto dirigia seu SUV após interagir com agentes da ICE — supostamente como observadora legal apoiando vizinhos durante uma operação de imigração. Vídeos mostram ela dizendo “Está tudo bem” e “Não estou brava com vocês” momentos antes dos tiros. O agente Jonathan Ross alega legítima defesa, alegando medo de ser atropelado; a narrativa federal, endossada pelo presidente Trump e pela secretária Kristi Noem, foi contestada por autoridades locais, como o prefeito Jacob Frey (que chamou a versão oficial de “bullshit”) e o governador Tim Walz (que decretou 9 de janeiro como “Dia de Renée Good”).
O caso gerou protestos em massa: mais de mil manifestações no fim de semana, com milhares marchando em Minneapolis e outras cidades. A operação da ICE na região é a maior da história da agência, com mais de 2 mil agentes envolvidos. Mas, enquanto as ruas ecoavam gritos por accountability, o Globo de Ouro ofereceu uma versão mais contida e fotogênica do protesto: um pequeno pin discreto, fácil de afixar no smoking ou no vestido de gala, sem interromper o fluxo de entrevistas, selfies e discursos de aceitação.
Críticos — e até alguns observadores neutros — notam o padrão familiar em Hollywood: ações simbólicas de alto impacto visual e baixo custo pessoal, perfeitas para o ciclo de notícias de 24 horas. Ruffalo e Sykes falaram abertamente sobre o pin, chamando atenção para a “mãe assassinada” e criticando o governo, mas o gesto permaneceu contido ao glamour da noite. Em entrevistas no tapete vermelho, celebridades como Jean Smart mencionaram o “momento preocupante” no país, mas reconheceram que “algumas pessoas acham irritante” quando famosos se posicionam politicamente — um aceno sutil ao risco de alienar parte do público.
A campanha, apoiada pela ACLU e outros grupos ativistas, busca manter o foco nas vítimas durante toda a awards season. Organizadas por ativistas experientes (esta é a terceira vez de Morales Rocketto no Globo de Ouro), os pins funcionam como um lembrete elegante: em um evento onde o visual é tudo, um pequeno acessório pode sinalizar solidariedade sem demandar mais do que isso.
Enquanto o FBI investiga e a família de Good recebe milhões em doações (o GoFundMe fechou com US$ 1,5 milhão), o contraste permanece: de um lado, uma tragédia real que mobiliza milhares nas ruas; do outro, Hollywood transformando luto em statement fashion — um gesto que, para alguns, parece genuíno; para outros, mais uma forma sofisticada de parecer virtuoso aos olhos do mundo.


