
Boston, 28 de Janeiro de 2026
A Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) assinou contrato de US$ 4,5 milhões com a BI2 Technologies, empresa de tecnologia sediada em Plymouth, Massachusetts, para implementar sistema de escaneamento de íris por smartphones. A ferramenta permite identificar pessoas em segundos durante operações de campo, superando a lentidão das impressões digitais, a informação foi confirmada por fontes como o Boston Globe e relatórios federais.
O acordo concede acesso ilimitado ao maior banco de dados nacional de íris para fins policiais, com mais de 5 milhões de registros de 1,5 milhão de indivíduos, alimentado por prisões e cadastros de centenas de agências locais.
Essa iniciativa integra uma série de contratos firmados em 2025, que incorporam inteligência artificial, análise de dados e vigilância avançada, incluindo plataformas de mapeamento de alvos e integração de informações de agências federais.
Defensores destacam que a tecnologia acelera a verificação de identidade e status imigratório, reduzindo erros em abordagens e prisões equivocadas. Críticos alertam para riscos à privacidade e falta de supervisão: o uso em operações de rua pode ser invasivo, afetando cidadãos e residentes legais, e contribui para que comunidades imigrantes evitem cuidados médicos essenciais por medo de confrontos.
Especialistas em direitos civis observam que essas ferramentas expandem poderes de vigilância criados após 11 de setembro, originalmente voltados a ameaças terroristas, mas agora aplicados de forma mais ampla ao controle imigratório. Há preocupação com abusos em casos sem histórico criminal grave e com a ausência de limites claros para o monitoramento contínuo.
Implicações:
- Perda de anonimato em espaços públicos: Escaneamento rápido elimina disfarce em ruas, eventos ou rotinas diárias, gerando efeito inibidor intenso — imigrantes evitam sair, frequentar comunidades ou atividades sociais por medo de detenção imediata.
- Aumento do isolamento e evasão de serviços essenciais: Famílias reduzem acesso a saúde preventiva, consultas, escolas e denúncias de crimes, agravando vulnerabilidades e problemas de saúde pública.
- Risco elevado de erros e discriminação: Taxas maiores de falsos positivos em populações de cor ou traços étnicos específicos podem levar a detenções equivocadas, revogação de benefícios ou separação familiar — mesmo para cidadãos ou residentes legais.
- Monitoramento contínuo e integração de dados: Acesso irrestrito a bancos massivos permite cruzamentos com saúde, impostos, benefícios e redes sociais, facilitando rastreamento sem mandados e tornando a vida cotidiana sob vigilância permanente.
- Impacto além dos indocumentados: Afeta comunidades mistas, reforça perfis raciais/étnicos e erode confiança em instituições, ampliando desigualdades e reduzindo liberdades básicas.
A ferramenta acelera operações da ICE, mas ao custo de maior medo, isolamento social e erosão de direitos para milhões de imigrantes e suas redes de apoio.


