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Uma ação judicial protocolada na Justiça Federal de Boston, em 13 de março de 2026, questiona a revogação em massa de credenciais de segurança conhecidas como customs seals — autorizações necessárias para que trabalhadores acessem áreas restritas de aeroportos internacionais, como cabines de aeronaves e zonas de bagagem.
A demanda, movida por um sindicato que representa funcionários de serviços aeroportuários em parceria com ex-trabalhadores do Aeroporto Internacional Logan, em Boston, alega que a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), vinculada ao Departamento de Segurança Interna (DHS), reinterpretou normas antigas de elegibilidade a partir de abril de 2025, com intensificação em fevereiro de 2026. A medida resultou na perda das credenciais para pelo menos 80 funcionários do Logan — todos imigrantes com autorização legal de trabalho, incluindo portadores de green card, status de proteção temporária, asilo pendente ou outras permissões válidas —, impedindo-os de exercer funções em áreas seguras e levando à demissão efetiva.
Situações semelhantes foram reportadas em terminais de Nova York (JFK), São Francisco, Orlando e Houston. A petição classifica a mudança de política como arbitrária e caprichosa, violando a Lei de Procedimentos Administrativos e o devido processo legal previsto na Quinta Emenda da Constituição. Os autores argumentam que a justificativa oficial — risco inaceitável à segurança nacional — mascara uma abordagem discriminatória contra imigrantes legais, sem notificação prévia, oportunidade de defesa ou audiência.
O caso coincide com um parcial shutdown do governo federal, em vigor desde fevereiro de 2026, que deixou milhares de agentes da Administração de Segurança de Transportes (TSA) sem pagamento integral. Autoridades federais informaram que mais de 300 oficiais da TSA renunciaram desde o início da paralisação, com relatos de filas mais longas e lentas em aeroportos nacionais, inclusive em Logan, durante o período de spring break. Passageiros expressaram solidariedade aos trabalhadores afetados, destacando o orgulho no serviço prestado mesmo em condições adversas.
A Massachusetts Port Authority, responsável pela administração de Logan, encaminhou questionamentos à agência federal, que até o momento não emitiu resposta pública sobre as alegações específicas. A ação busca declarar a política ilegal, restabelecer as credenciais dos prejudicados, impor procedimentos de notificação e apelação prévios, além de compensações pelos danos sofridos.
Até nessa segunda-feira, 16 de março, não há registro de decisões judiciais, audiências iniciais ou respostas formais do governo. O processo tramita na corte federal de Boston em fase preliminar, em meio a tensões mais amplas sobre imigração, segurança aeroportuária e disputas orçamentárias no Congresso, que o DHS aponta como causa do shutdown. O episódio reflete pressões crescentes no setor de aviação, com potencial para impactos maiores no tráfego aéreo se a controvérsia persistir.


