Por Junot Ceditores, JSNews
Washington, D.C. – 25 de fevereiro de 2026
O discurso do Estado da União (SOTU) proferido pelo presidente Donald Trump na noite de 24 de fevereiro de 2026 foi marcado por tons combativos e uma defesa veemente de suas políticas, especialmente em temas como imigração e segurança interna. Com duração recorde de quase duas horas, Trump destacou conquistas de seu segundo mandato, mas gerou controvérsias ao atacar democratas por supostas incoerências e omissões. Enquanto celebrava uma “fronteira mais segura da história”, ele propôs medidas radicais contra cidades santuárias e fraudes em benefícios sociais, ligando-os diretamente a imigrantes indocumentados. Democratas rebateram com vaias e protestos, destacando o que chamam de “hipocrisia” republicana, mas o evento também expôs contradições no lado opositor, como no caso dos arquivos de Jeffrey Epstein.
Imigração e Fronteiras: Uma “Invasão” Sob Controle?
O cerne do discurso foi a imigração, com Trump alegando uma vitória absoluta contra o que descreveu como uma “invasão” herdada da administração Biden-Harris. Ele afirmou que, nos últimos nove meses, “zero imigrantes ilegais foram admitidos nos Estados Unidos”, e celebrou uma redução de 56% no fluxo de fentanil pela fronteira sul. “Nós agora temos a fronteira mais forte e segura da história americana, de longe”, declarou Trump, contrastando com acusações contra democratas por permitirem “milhões e milhões de estrangeiros ilegais, incluindo 11.888 assassinos”.
Críticos, incluindo fact-checkers da NPR e CNN, questionaram os números: embora cruzamentos ilegais tenham caído para níveis baixos, o “zero admitidos” ignora detenções e liberações condicionais. Trump exigiu a restauração imediata de fundos para o Departamento de Segurança Interna (DHS), culpando democratas por um “shutdown democrata” que estaria obstruindo operações da Imigração e Alfândega (ICE). Ele propôs penalidades para oficiais que bloqueiem remoções de “estrangeiros criminosos” e o fim de cidades santuárias, como Boston e Los Angeles, que “protegem criminosos às custas dos cidadãos americanos”.
Crimes por Indocumentados: Vítimas no Palco e Acusações de Seletividade
Trump dedicou tempo significativo a vítimas americanas de crimes cometidos por imigrantes indocumentados, homenageando “mães anjos” e citando casos específicos para reforçar sua narrativa. Ele mencionou Sarah Root (morta em 2016 por um motorista bêbado ilegal), Sarah Beckstrom (morta por um imigrante afegão), e Lizbeth Medina (esfaqueada 25 vezes por um indocumentado previamente preso). “Muitos desses imigrantes são assassinos… Temos que proteger os cidadãos americanos, não estrangeiros ilegais que cometem crimes e fraudes”, afirmou Trump, ligando diretamente a imigração a um suposto aumento de violência.
Uma frase emblemática veio ao atacar fraudes em benefícios como o EBT (Electronic Benefits Transfer, para auxílios alimentares): “Importando essas culturas através de imigração irrestrita e fronteiras abertas, trazemos esses problemas para cá… Eles saqueiam bilhões em fraudes, como os piratas somalis que roubaram US$ 19 bilhões em Minnesota”. Trump anunciou uma “guerra contra a fraude”, liderada pelo vice-presidente JD Vance, alegando que eliminar esses abusos equilibraria o orçamento federal “da noite para o dia”. Fact-checks apontam que esquemas reais existiram (com condenações por bilhões em roubos pandêmicos), mas os números são inflados e não exclusivos a imigrantes.
Democratas contra-argumentaram destacando omissões: Trump ignorou mortes causadas por agentes da ICE, como os casos de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis, em janeiro de 2026. A deputada de origem somali, Ilhan Omar, interrompeu o presidente durante as acusações a somalis, chamando-o de “mentiroso”, o que gerou um momento tenso no plenário.
Cidades Santuárias no Alvo: Pressão sobre DHS e ICE
Trump intensificou críticas a cidades santuárias, propondo cortes de fundos federais a partir de 1º de fevereiro para aquelas que “fazem tudo possível para proteger criminosos”. Ele citou a Boston Trust Act como exemplo de políticas que ignoram detainers da ICE, permitindo a liberação de “reincidentes perigosos”. “Não faremos mais pagamentos a cidades santuárias”, declarou, exigindo aprovação da Lei Safe America para exigir ID de eleitor e prova de cidadania, limitando votos por correio.
O shutdown parcial do DHS, atribuído por Trump a obstrução democrata, foi outro ponto polêmico: ele acusou o partido opositor de priorizar “proteções a ilegais” sobre segurança pública, enquanto democratas alegam que cortes propostos por republicanos ameaçam operações essenciais da ICE e patrulhas fronteiriças.
Incoerências Democratas: O Caso Epstein
Embora o foco de Trump tenha sido doméstico, democratas usaram o SOTU para protestar contra a suposta omissão nos arquivos de Jeffrey Epstein, convidando sobreviventes e usando pins com “Release the Files”. Trump evitou o tema, gerando acusações de “silêncio ensurdecedor”. No entanto, críticos apontam incoerência democrata: durante a administração Biden-Harris, a vice-presidente Kamala Harris defendeu a não-liberação em entrevista ao Jimmy Kimmel Live em dezembro de 2025, citando “separação absoluta” entre executivo e DOJ para evitar interferências. Agora, com Trump no poder, Harris e aliados exigem transparência total, o que soa como uma mudança muito conveniente de posição mas que não passa desapercebido.
Outros Pontos Polêmicos: Economia, Política Externa e Saúde
Além da imigração, Trump gerou debates com propostas econômicas radicais, como substituir impostos de renda por tarifas de 15% sobre importações, alegando que “países estrangeiros pagarão”. Isso veio após a Suprema Corte derrubar tarifas anteriores, e críticos temem guerras comerciais e inflação.
Na política externa, ele emitiu avisos ao Irã sobre possíveis ações militares e celebrou “operações rápidas” na Venezuela (captura de Maduro), afirmando que “nossos inimigos estão com medo”. Democratas vaiaram, acusando escalada desnecessária.
Um tema subestimado foi saúde: Trump ignorou processos de 15 estados contra sua administração por supostamente pausar programas de vacinação, o que gerou críticas por riscos a comunidades vulneráveis.
Reações e Impacto
O discurso polarizou o Congresso: republicanos aplaudiram de pé em pontos sobre segurança, enquanto democratas permaneceram sentados ou vaiaram. A governadora Abigail Spanberger (Virgínia), na resposta democrata, chamou Trump de “propagandista do medo”. Pesquisas pós-SOTU mostram aprovação de Trump em imigração em 38%, refletindo divisões profundas antes das eleições de meio de mandato.
Em resumo, o SOTU de Trump reforçou sua agenda “America First”, mas expôs fraturas partidárias. Enquanto a imigração domina o debate, incoerências em ambos os lados – de Epstein a fraudes – alimentam desconfiança pública. A implementação das propostas, como cortes a santuários, será testada no Congresso dividido.


