Boston, 12 de março de 2026 – Um juiz federal ordenou na quarta-feira (11 de março) a liberação imediata e o retorno a Massachusetts de uma menina brasileira de 14 anos, identificada como B.E.S. em documentos judiciais, que foi detida por agentes da Imigração e Alfândega (ICE) na terça-feira (10 de março) em Marlborough. A adolescente, que entrou nos Estados Unidos com um visto de visitante em 2019 e reside com familiares no estado, foi transferida para uma instalação do Office of Refugee Resettlement (ORR) em Nova York durante a noite, gerando controvérsias sobre as motivações da operação. O caso, que envolve alegações de táticas questionáveis por parte das autoridades federais, continua a repercutir em círculos políticos e na comunidade imigrante local, com atualizações indicando que sua transferência de volta ao estado deve ocorrer ainda nesta quinta-feira (12 de março).
De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o ICE, a ação não foi uma prisão direcionada à menina, mas um “resgate” para protegê-la de suspeitos de envolvimento com gangues. Em comunicado oficial emitido pela porta-voz interina do ICE, Lauren Bis, a agência afirmou que os agentes realizaram uma operação direcionada para prender dois homens brasileiros indocumentados – Igor J. C. F., de 28 anos, e Lucas Da S. S. De A. de 25 anos –, que o ICE alegam serem suspeitos de serem integrantes do grupo criminoso Primeiro Comando de Massachusetts, uma ramificação local de uma facção brasileira. A menina estava no veículo com eles no momento da abordagem, em um estacionamento próximo a uma igreja presbiteriana em Marlborough, e não identificou esses indivíduos como seus guardiões legais. Investigação posterior confirmou que ela não tinha relação familiar com os detidos, e o veículo estava ligado a uma suposta tentativa de invasão domiciliar em Walpole, Massachusetts, no início do mês. Para garantir a segurança da menor, ela foi colocada sob custódia protetora do ORR, seguindo protocolos padrão para menores não acompanhados, até a identificação de guardiões legais. O DHS enfatizou em seu comunicado que a menina não foi alvo da operação e que não há indícios de que sua detenção esteja relacionada ao vencimento de seu visto.
Por outro lado, a congressista democrata Lori Trahan, representante do 3º Distrito de Massachusetts (que inclui Marlborough), criticou duramente a ação em uma postagem no X (antigo Twitter) na quarta-feira, alegando que a detenção da menina foi uma tentativa deliberada de usá-la como “refém” ou “isca” para coagir seu pai a se entregar para deportação. Trahan, que se descreveu como “furiosa” como mãe de duas filhas de 15 e 11 anos, e afirmou que a adolescente, sem histórico criminal, foi alvo intencional para infligir “dor máxima” à família. Ela comparou o caso a um incidente recente em Minnesota, onde um menino de cinco anos foi detido de forma similar, levando a uma ordem judicial que qualificou a ação como “cruel” e “desprovida de decência humana”. A legisladora exigiu a liberação imediata da menina, para que ela pudesse retornar à família e à escola ainda nesta semana, e instou o DHS a abandonar políticas que usam crianças como ferramenta para deter e deportar familiares, priorizando em vez disso criminosos violentos.
O juiz federal Leo T. Sorokin, durante a audiência realizada na tarde de quarta-feira, 11, no Tribunal Distrital de Massachusetts, concedeu o habeas corpus apresentado pelo advogado da menina, Andrew Lattarulo, da firma Georges Cote Law LLP. Sorokin qualificou o caso como uma “anomalia” em sua carreira de 22 anos e questionou a transferência noturna para Nova York, ordenando que o retorno a Massachusetts ocorresse até as 9h da manhã de quinta-feira. A menina deve ser entregue à custódia temporária de uma tia materna, cidadã americana residente em Weymouth, que apresentará uma declaração juramentada ao tribunal confirmando sua intenção de assumir a guarda legal. Ambas as partes – o advogado da menina e o representante do governo federal, Rayford Farquhar – concordaram com a decisão, acelerando o processo. Até o momento, não há confirmações de que a transferência tenha sido concluída, mas fontes indicam que ela está em andamento, permitindo que a adolescente retorne à Brighton High School em breve.
O episódio reacende debates sobre as políticas de imigração nos EUA, especialmente o tratamento de menores em famílias mistas (com membros cidadãos e não cidadãos) e o equilíbrio entre segurança pública e direitos humanos. A governadora de Massachusetts, Maura Healey, e outros líderes locais também expressaram críticas à operação, enquanto ativistas imigrantes pedem reformas para priorizar vulneráveis. O DHS não comentou sobre possíveis investigações internas, e o caso permanece sob monitoramento por veículos de imprensa locais.



