Milwaukee, Wisconsin – A juíza Hannah Dugan, do Tribunal do Condado de Milwaukee, apresentou sua carta de renúncia ao governador Tony Evers no sábado, 3 de janeiro de 2026, com efeito imediato, evitando um processo de impeachment ameaçado por republicanos no Legislativo estadual.
Dugan, de 66 anos, foi condenada em 19 de dezembro de 2025 por obstrução felony – um crime federal – por ajudar o imigrante mexicano indocumentado Eduardo Flores-Ruiz a escapar de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) durante uma audiência em abril de 2025. De acordo com relatos do incidente, a juíza confrontou os agentes no corredor do tribunal, alegando que o mandado administrativo deles era insuficiente, e os direcionou ao gabinete do juiz-chefe. Enquanto isso, ela tratou do caso de Flores-Ruiz fora do registro, aconselhou seu advogado a comparecer à próxima audiência via Zoom e os conduziu para fora por uma porta privada reservada ao júri. Os agentes avistaram Flores-Ruiz posteriormente e o prenderam após uma perseguição a pé.
O júri federal em Milwaukee absolveu Dugan da acusação menor de ocultação, mas a condenou por obstrução, expondo-a a até cinco anos de prisão – embora, como ré primária, ela deva receber uma pena leve ou nula. Seus advogados planejam recorrer, argumentando que ela seguia protocolos do tribunal para relatar a presença de agentes de imigração a supervisores, e buscam anular a condenação junto ao juiz Lynn Adelman.
A Constituição de Wisconsin proíbe que condenados por felony ocupem cargos públicos, o que intensificou as pressões políticas. Republicanos, que controlam a Assembleia e o Senado estadual, ameaçavam iniciar um impeachment – o primeiro contra um juiz no estado desde 1853 – se Dugan não renunciasse. O presidente da Assembleia, Robin Vos, elogiou a decisão como “o certo a fazer”, alinhada à Constituição estadual, e afirmou que o Legislativo retornaria à sessão na segunda-feira para prosseguir se necessário.
Em sua carta de renúncia, Dugan defendeu sua conduta, destacando uma carreira dedicada a tratar todas as pessoas com dignidade e justiça, e criticou os “procedimentos federais sem precedentes” como uma ameaça à independência judicial. Ela afirmou que os cidadãos de Wisconsin merecem um juiz permanente, sem uma “luta legislativa partidária”.
O caso ganhou projeção nacional durante a administração Trump, que afrouxou restrições para operações de imigração em tribunais locais, visando aumentar deportações. O Departamento de Justiça dos EUA apresentou o processo como um exemplo de accountability para autoridades públicas, enquanto democratas o viram como uma tentativa de intimidar juízes opositores à política imigratória rigorosa. Flores-Ruiz foi deportado em novembro de 2025, conforme anunciado pelo Departamento de Segurança Interna.
O governador democrata Tony Evers confirmou o recebimento da carta e prometeu preencher a vaga rapidamente. Ann Jacobs, democrata e presidente da Comissão Eleitoral de Wisconsin, concordou com a necessidade de um juiz permanente, descrevendo Dugan como uma “campeã da justiça” fiel a seus princípios e fé.
Dugan, eleita em 2016 e ex-diretora da Catholic Charities local para reassentamento de refugiados, estava suspensa desde abril de 2025. O processo continua nos tribunais federais, e o caso destaca as divisões partidárias sobre imigração e independência judicial nos EUA.


