Brasília, 20 de novembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta quinta-feira a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, em 18 de outubro. Aos 45 anos, Messias – eternizado como “Bessias” em um áudio vazado da Operação Lava Jato – surge como um nome técnico e de confiança do Planalto, mas que reacende debates sobre proximidade política com o petismo. Messias, procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007, ganhou notoriedade em 2016, durante o governo Dilma Rousseff. Em uma ligação interceptada pela Polícia Federal e divulgada pelo então juiz Sérgio Moro, a ex-presidente mencionou o envio de um termo de posse para Lula como ministro da Casa Civil “em caso de necessidade”, via “Bessias” – pronúncia distorcida de Messias, então subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.
O episódio, que culminou na anulação da nomeação por Gilmar Mendes, simbolizou para críticos a manobra para blindar Lula de investigações. Anos depois, o STF declarou Moro parcial no caso do triplex do Guarujá, invalidando provas da Lava Jato.
Nascido no Recife e se dizendo evangélico, Messias acumula experiência em litígios tributários e atuou em cargos como subchefe de Análise de Políticas Governamentais da Casa Civil, secretário de Regulação no Ministério da Saúde e consultor jurídico no MEC.
Nomeado AGU em 2023 por Lula, defendeu o governo em ações sobre vacinas, tributos e atos antidemocráticos, consolidando-se como um perfil dialogador – inclusive com a bancada evangélica, aliviando tensões pré-eleições de 2026.
A indicação, após 42 dias da vaga, é a quinta de Lula na composição atual do STF, incluindo Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
O ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro, endossou o nome: “Qualificado e constitucional. Apoio no diálogo com senadores”. A OAB também elogiou sua expertise.
No Senado, o processo segue rito constitucional: sabatina na CCJ e votação no plenário. Indicações anteriores de Lula variaram – Dino aprovado por 47 a 31, Zanin por 58 a 18 –, mas analistas preveem resistência do Centrão, com Alcolumbre exigindo contrapartidas altas.
Críticos, como em postagens no X, ironizam: “Terceiro capacho de Lula no STF” ou “Pau-mandado de Dilma”.
Defensores destacam integridade: “Dedicação e zelo institucional”, tuitou Messias.
Se aprovado, Messias – que pode ficar até 2055 – reforçaria o viés progressista da Corte, mas o risco de rejeição é real, em um Congresso fragmentado.


