JSNEws – Um novo relatório, apoiado por organizações católicas e evangélicas de relevância nacional, como a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA e a Associação Nacional de Evangélicos, revela que quatro em cada cinco imigrantes em risco de deportação nos Estados Unidos são cristãos. Aproximadamente 10 milhões de cristãos estão vulneráveis à expulsão, enquanto 7 milhões de cidadãos americanos cristãos vivem em lares onde alguém enfrenta esse risco. O documento, que não assume posições políticas explícitas, busca sensibilizar os fiéis sobre as políticas agressivas de deportação da administração Trump.
“Embora nos preocupemos com nossos irmãos cristãos, nosso cuidado não se limita àqueles que compartilham nossa fé”, afirmou Matthew Soerens, vice-presidente de advocacy da World Relief, entidade evangélica coautora do estudo. “Como cristãos, cremos que todos, independentemente de religião ou nacionalidade, possuem dignidade inerente.” Ele destaca, porém, que muitos cristãos americanos desconhecem que a maioria dos deportáveis professa a mesma fé.
Os imigrantes em risco de deportação incluem desde aqueles que cruzaram a fronteira ilegalmente até os que possuem status legal temporário, como o Temporary Protected Status (TPS), que o governo Trump tenta revogar para cidadãos de países como Venezuela e Haiti. Segundo o relatório, mais da metade dos vulneráveis são católicos, seguidos por evangélicos e outros grupos cristãos. “As deportações podem separar famílias e expor pessoas a ameaças graves nos países de origem, de onde fugiram por perseguição”, alerta o bispo Mark Seitz, de El Paso, Texas, presidente do Comitê de Migração dos bispos.

O impacto vai além das famílias
Walter Kim, presidente da Associação Nacional de Evangélicos, observa que imigrantes cristãos, vindos de regiões onde a igreja prospera, como América Latina e África Subsaariana, têm revitalizado congregações nos EUA. “Eles trazem uma fé vibrante, contribuindo para a América e para a igreja”, diz Kim. Ele adverte que deportações em massa seriam uma “estratégia de declínio da igreja” promovida pelo governo.
Apesar do apoio de cristãos a Trump — cerca de 80% dos evangélicos brancos e 60% dos católicos brancos votaram nele em 2024, segundo a AP VoteCast —, o relatório sugere que suas políticas podem contradizer valores cristãos. O medo da deportação já afasta imigrantes de cultos e espaços públicos, enquanto estudos mostram que eles cometem menos crimes violentos que cidadãos nativos. Kim defende reformas que diferenciem criminosos violentos dos imigrantes que “contribuem para nossas comunidades e igrejas”.
O bispo Seitz reforça: “Sabemos o custo de destruir a unidade familiar e os perigos enfrentados por quem é deportado sumariamente. Pessoas morrerão se isso continuar.” O relatório, baseado em dados de censo e percentuais de afiliação religiosa nos países de origem, como a Ucrânia e nações latino-americanas, que estima a presença cristã entre os imigrantes.
Diante disso, as organizações Cristãs que realizaram o estudo, incluindo o Centro para o Estudo do Cristianismo Global, pedem reflexão. Sem propor soluções políticas diretas. A mensagem é clara: as políticas de deportação não afetam apenas números, mas a própria alma das comunidades cristãs nos EUA.
Para acessar o estudo completo: https://worldrelief.org/onepart/