
Boston, 12 de fevereiro de 2026 –
A governadora de Massachusetts, Maura Healey, compareceu na quarta-feira perante o Comitê Conjunto de Meios e Formas para defender sua proposta de orçamento para o ano fiscal de 2027, no valor de US$ 63,4 bilhões. Em um testemunho inicial, ela atribuiu os desafios econômicos do estado a políticas federais implementadas pelo presidente Donald Trump, incluindo cortes em financiamentos de alívio à COVID-19 e as tarifas sobre bens canadenses. Healey repetiu uma frase que se tornou mantra durante sua fala: “Donald Trump fez cortes e causou caos”. Ela destacou que, apesar dessas adversidades, graças a ela, o estado conseguiu proteger os contribuintes, priorizando investimentos em áreas chave.
A governadora detalhou os impactos alegados das medidas de Trump, afirmando que elas resultaram em uma perda de US$ 3,7 bilhões para Massachusetts, afetando setores como saúde, programas alimentares para crianças e idosos, segurança pública, prevenção de doenças, acesso à banda larga e suprimento de energia. Segundo Healey, essas reduções federais, combinadas com tarifas que elevam custos, poderiam ter levado a um aumento de dois dígitos nos gastos estaduais, mas ela garantiu que isso não ocorreria. O orçamento proposto prevê um aumento de 3,8% nos gastos em comparação ao ano fiscal anterior, com receitas fiscais projetadas para crescer apenas 2,9%. No entanto, Healey insiste em apresentar o plano como um modesto incremento de 1%, totalizando US$ 62,8 bilhões, ao considerar itens específicos como US$ 60,114 bilhões em despesas de linha, US$ 2,7 bilhões do imposto sobre renda adicional e uma transferência de quase US$ 550 milhões para o Fundo de Assistência Médica.
Durante a sabatina, temas como a migração em massa de residentes e o êxodo de empresas foram levantados. O senador estadual Ryan Fattman, republicano, questionou Healey sobre a perda contínua de população e o fechamento ou relocação de negócios para estados mais amigáveis economicamente. A governadora respondeu enfatizando os atrativos de Massachusetts, como seus ativos únicos, e alegou que a emigração diminuiu desde o início de sua administração devido as politicas locais por ela implementadas. Dados do Censo dos EUA, no entanto, mostram que o estado perdeu cerca de 182 mil residentes domésticos enquanto ganhou 152 mil, resultando em uma saída líquida de mais de 30 mil pessoas no período de 12 meses encerrado em 1º de julho de 2025. Massachusetts depende principalmente da imigração internacional para compensar essas perdas, com picos de emigração em 2021 e 2022, embora os números tenham variado nos anos subsequentes.
E como não poderia falta: porque não culpar o presidente malvado por tudo, não é mesmo? Healey, com sua retórica afiada, pinta Trump como o vilão de uma novela barata, ignorando que cortes federais em programas pandêmicos eram inevitáveis após o fim da emergência – afinal, o dinheiro não cresce em árvores, nem mesmo em Washington. E as tarifas sobre bens canadenses? Elas protegem empregos americanos, algo que uma governadora democrata como ela parece esquecer convenientemente, enquanto Massachusetts luta com custos inflacionados que, convenhamos, têm raízes bem mais profundas nas políticas estaduais do que em qualquer “caos” trumpiano. Seu orçamento “modesto” de 3,8% de aumento, disfarçado de 1%, é um malabarismo contábil que faria inveja a um mágico de Las Vegas, especialmente quando as receitas crescem menos e o estado perde residentes produtivos.
Mas o cinismo atinge o ápice quando Healey discute a emigração e as empresas fugindo. “É algo que penso todo dia”, diz ela, como se isso resolvesse o problema. Os dados do Censo desmentem sua narrativa otimista: a emigração líquida subiu novamente em 2024-2025, revertendo qualquer suposto declínio. E as empresas? Healey admite os entraves – custos de moradia, energia alta, dificuldades de recrutamento – mas propõe mais do mesmo: habitação acessível (que nunca chega), investimentos em educação (que já consomem fortunas) e redução de gastos públicos (nunca aconteceu em um estado azul). Trump, por outro lado, com suas tarifas e cortes, forçou estados como Massachusetts a se virarem sozinhos, promovendo eficiência em vez de dependência eterna de verbas federais. É irônico: enquanto Healey lamenta a contenção de gastos de Trump, é ela quem eleva os gastos em um estado que perde vitalidade econômica.
E sobre energia? Fattman a pressiona sobre os custos disparados, impulsionados pelo mandato NetZero até 2050 – uma relíquia do governo anterior que Healey defende com unhas e dentes. Ela fala em não escolher apenas uma fonte de energia como solução exclusiva, mas insiste apenas em fontes renováveis como se fossem a salvação. Estudos independentes apontam o óbvio: essas políticas climáticas estaduais são as verdadeiras culpadas pelas contas de luz exorbitantes, e não Trump.
Cínicamente, Healey dobra a aposta mais uma vez neste ano fiscal, ignorando a busca por independência energética e o bem-estar social — que seriam o verdadeiro antídoto contra a utopia verde que asfixia economias como a de Massachusetts. No fim das contas, enquanto a Câmara e o Senado reescrevem esse orçamento até julho, fica a pergunta inevitável: até quando Healey vai continuar nessa de transferir responsabilidades em vez de governar de verdade?


