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Minneapolis, 20 de janeiro de 2026 – A Operação Metro Surge, lançada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos em dezembro de 2025, tem sido descrita pelo governo federal como a maior ação de enforcement imigratório da história, com foco em “criminosos ilegais” na região das Twin Cities (Minneapolis e Saint Paul) e expandida para todo o estado de Minnesota. Até o momento, mais de 3.000 prisões foram realizadas, segundo confirmações oficiais do DHS e do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), incluindo indivíduos com históricos de crimes graves como assassinato, abuso sexual infantil e tráfico de drogas. No entanto, a operação tem sido marcada por episódios de violência extrema, incluindo atentados contra manifestantes e mortes, como a de Renee Nicole Good, uma cidadã americana baleada por um agente do ICE.
A operação, anunciada como uma resposta às políticas “santuário” locais que, segundo o DHS, protegem criminosos indocumentados, envolveu o envio inicial de cerca de 2.000 agentes federais adicionais, com reforços subsequentes elevando o número para até 3.000. Fontes oficiais, como a secretária do DHS, Kristi Noem, afirmam que as detenções visam os “piores dos piores”, destacando casos como o de Hien Quoc Thai, condenado por assassinato, e Brian Anjain, com 24 condenações por crimes variados, incluindo assalto e abuso doméstico. Em um comunicado de 16 de janeiro, o DHS celebrou a remoção de “milhares de criminosos ilegais” das ruas de Minnesota, alegando que a operação “está apenas começando” e não tem data de término prevista.
Críticos, incluindo a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) e autoridades locais, contestam esses números, argumentando que muitos detidos não têm antecedentes criminais graves ou foram transferidos diretamente de prisões estaduais, inflando artificialmente as estatísticas. Relatórios indicam que cerca de 92% dos detidos não possuem registros criminais significativos, e há relatos de detenções de cidadãos americanos e imigrantes legais por engano. A operação também enfrenta acusações de perfilamento racial, direcionando comunidades somalis e latinas, com táticas que incluem batidas em shoppings, aeroportos e bairros residenciais.
Violências e Atentados: Um Clima de Terror nas Ruas
A Metro Surge não tem passado sem controvérsias violentas. Desde o início, agentes do ICE foram acusados de usar força excessiva, incluindo irritantes químicos (como gás lacrimogêneo), agressões e ameaças com armas de fogo contra manifestantes desarmados e observadores legais. Em um incidente em St. Cloud, agentes invadiram um shopping center, resultando em três prisões e o uso de irritantes químicos contra protestos, o que levou a uma ação judicial da ACLU por violações constitucionais. Vídeos circulando nas redes sociais mostram agentes arrastando manifestantes, batendo em transeuntes e ignorando protocolos de desescalada.
Um dos episódios mais graves ocorreu em 7 de janeiro, quando a cidadã americana Renee Nicole Good, de 37 anos, mãe de três filhos e observadora legal de ações federais, foi baleada e morta pelo agente do ICE Jonathan Ross em South Minneapolis. O DHS alega que Ross agiu em autodefesa, afirmando que Good o atropelou com seu carro durante uma operação. No entanto, testemunhas e vídeos contradizem essa versão, mostrando o veículo de Good se afastando enquanto o agente disparava pela janela do carro. A ACLU classificou o incidente como “um ato de violência injustificável”, e líderes locais, como o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador Tim Walz, exigiram o fim imediato da operação, chamando-a de “caos e terror”. Protestos subsequentes foram recebidos com mais violência: em 15 de janeiro, um imigrante venezuelano foi baleado na perna por um agente após um confronto com ferramentas como pá e vassoura.
Outros incidentes incluem o uso de irritantes químicos em crianças e idosos durante protestos, violações de ordens judiciais que proíbem detenções sem causa provável, e ataques a jornalistas e observadores. O presidente Donald Trump ameaçou invocar a Lei de Insurreição para enviar mais tropas, rotulando os protestos como “insurreição” e defendendo os agentes como “heróis da fronteira”. Em resposta, o Departamento de Justiça apelou contra uma ordem judicial que restringe o uso de força contra manifestantes pacíficos.


