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Cidade do Vaticano – Em um pronunciamento firme e direto aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, realizado na sexta-feira (9 de janeiro de 2026), o Papa Leão XIV expressou profunda preocupação com dois fenômenos graves que, segundo ele, ameaçam os pilares da convivência humana: a erosão da liberdade de expressão no Ocidente e a persistência da violência jihadista contra cristãos em diversas regiões do mundo.
Durante a tradicional audiência de início de ano, o pontífice americano – o primeiro nascido nos Estados Unidos na história da Igreja Católica – criticou duramente o que chamou de “linguagem de estilo orwelliano” que se alastra especialmente nos países ocidentais.
“É doloroso constatar como, sobretudo no Ocidente, o espaço para uma genuína liberdade de expressão está se reduzindo rapidamente”, afirmou o Papa. “Ao mesmo tempo, está se desenvolvendo uma nova linguagem de estilo orwelliano que, ao tentar ser cada vez mais inclusiva, termina por excluir aqueles que não se conformam com as ideologias que a alimentam.”
Leão XIV também alertou para o ataque crescente à liberdade de consciência, considerada por ele um elemento fundamental de equilíbrio entre o interesse coletivo e a dignidade individual.
“Neste momento histórico, a liberdade de consciência parece cada vez mais questionada por Estados – inclusive aqueles que se dizem fundados na democracia e nos direitos humanos”, declarou. Segundo o Papa, uma sociedade verdadeiramente livre não impõe uniformidade, mas protege a diversidade de consciências, evita tendências autoritárias e fomenta um diálogo ético que enriquece o tecido social.
Outro ponto central do pronunciamento foi a veemente condenação da violência jihadista e da perseguição aos cristãos, que o pontífice classificou como “uma das crises de direitos humanos mais disseminadas atualmente, afetando mais de 380 milhões de fiéis em todo o mundo”.
O Papa recordou especificamente as vítimas de violência religiosa em Bangladesh, na região do Sahel e na Nigéria, além dos mortos no grave atentado terrorista ocorrido em junho passado na paróquia de São Elias, em Damasco. Ele também fez questão de mencionar os ataques jihadistas na província de Cabo Delgado, em Moçambique, onde grupos extremistas têm causado milhares de mortes e deslocamentos forçados.
Relatos de observadores internacionais apontam que, em regiões da África Central e Austral, combatentes alinhados ao Estado Islâmico (ISIS) têm decapitado cristãos, incendiado igrejas e casas, com alguns dos episódios mais brutais registrados justamente em Moçambique. Estima-se que mais de 16 milhões de cristãos tenham sido forçados a abandonar seus lares na África Subsaariana, enfrentando ameaças constantes de perseguição, sequestros, violência sexual e assassinatos por parte de radicais islamistas.
O discurso de Leão XIV, proferido no Salão das Bênçãos do Palácio Apostólico, foi recebido como um dos mais contundentes de seu jovem pontificado (iniciado em maio de 2025) em temas relacionados à liberdade, direitos humanos e violência religiosa.
O Papa concluiu reforçando a necessidade de diálogo internacional baseado na verdade e na justiça, em oposição à lógica da força e da manipulação que, segundo ele, ameaça o próprio ordenamento jurídico internacional construído após a Segunda Guerra Mundial.
Ao denunciar com clareza a violência jihadista como uma das piores crises de direitos humanos do planeta (afetando mais de 380 milhões de cristãos), Leão XIV reconhece que há situações em que a força não é apenas uma opção, mas uma realidade imposta por quem rejeita qualquer diálogo. Nesses casos extremos, o apelo ao diálogo — embora permaneça como ideal cristão e diplomático — não pode ignorar a urgência da proteção às vítimas e da legítima defesa contra agressores que operam pela eliminação do outro, em vez de pela convivência. O pontífice equilibra a esperança no encontro pacífico com a realista condenação do mal que se recusa a ser contido por palavras, evidenciando a tradição católica que distingue a violência injusta da força proporcional necessária para salvaguardar a dignidade humana e a paz verdadeira.


