Por: JCeditores (JSNews)
Minneapolis, Minnesota – 19 de janeiro de 2026
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) colocou cerca de 1.500 soldados em estado de alerta para uma possível implantação em Minnesota, conforme revelado por fontes oficiais do governo Trump a veículos como CNN, Reuters e The Washington Post. Essa medida ocorre em meio a crescentes protestos contra as operações em larga escala do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), que se intensificaram nas cidades de Minneapolis e St. Paul desde o início de janeiro. Paralelamente, as autoridades estaduais, lideradas pelo governador democrata Tim Walz, mobilizaram a Guarda Nacional de Minnesota como precaução, embora as tropas ainda não tenham sido enviadas às ruas.
Os soldados em questão pertencem a dois batalhões da 11ª Divisão Aerotransportada, sediada no Alasca e conhecida como “Arctic Angels” (Anjos Árticos), uma unidade especializada em operações em climas frios e árticos. De acordo com funcionários de defesa que falaram sob condição de anonimato ao The Washington Post e ABC News, esses militares receberam ordens de “preparação para implantação” (prepare-to-deploy orders). Sua função potencial incluiria controle de multidões, apoio às forças de segurança locais ou proteção a agentes federais, semelhante ao papel desempenhado pela Guarda Nacional em Los Angeles durante distúrbios no verão anterior. No entanto, os preparativos não significam necessariamente que as tropas serão enviadas, enfatizaram as fontes.
O porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, afirmou em comunicado citado pela CNN: “O Departamento de Guerra [nome preferido pela administração Trump para o Departamento de Defesa] sempre está preparado para executar as ordens do Comandante em Chefe se solicitado”. Essa declaração reflete a postura cautelosa do governo federal, que busca evitar uma escalada desnecessária, mas mantém opções militares à disposição.
Contexto dos Protestos: Uma Crise que Começou com uma Morte Trágica
Os protestos eclodiram após o assassinato de Renee Nicole Good (também conhecida como Renee Macklin Good), uma cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, baleada por um agente do ICE chamado Jonathan Ross em 7 de janeiro de 2026, durante uma operação de imigração em Minneapolis. Good, que não era o alvo da ação, foi morta em circunstâncias controversas, o que gerou indignação nacional e acusações de uso excessivo de força por parte das autoridades federais. O incidente ocorreu no âmbito da “Operação Metro Surge”, uma campanha massiva do ICE visando comunidades imigrantes, incluindo somalis, hmongs (povo asiático de origem étnica) e mexicanos, acusadas de fraudes migratórias e atividades criminosas.
Desde então, as manifestações se tornaram duplas: de um lado, protestos anti-ICE denunciando violações de direitos civis e superlotação de detenções; do outro, grupos pró-aplicação da lei defendendo as operações federais. Relatos indicam confrontos esporádicos, com uso de gás lacrimogêneo pela polícia, mais de 2.500 prisões e feridos em ambos os lados. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, descreveu a presença federal como uma “força ocupante” e acusou o governo de “provocar” os manifestantes para justificar uma intervenção militar maior. “3.000 agentes federais, 1.500 tropas? Isso é ridículo. Não seremos intimidados pelo governo federal”, declarou Frey em uma coletiva recente.
A mobilização da Guarda Nacional estadual, ordenada por Walz, visa apoiar a polícia local e proteger manifestantes pacíficos. As tropas estaduais planejam usar coletes amarelos reflexivos para se diferenciar de forças federais, e permanecem em standby, prontas para atuar se a violência aumentar. Além disso, o Departamento de Justiça (DOJ) iniciou uma investigação criminal contra autoridades de Minnesota, incluindo Walz, por supostamente “conspirar para obstruir” as operações do ICE, o que agrava as tensões entre níveis federal e estadual.
A Ameaça da Lei de Insurreição e o Papel de Trump
A situação se complica com as repetidas ameaças do presidente Donald Trump de invocar a Lei de Insurreição de 1807, uma legislação raramente usada que permite ao presidente implantar tropas ativas ou federalizar a Guarda Nacional para suprimir distúrbios internos. Trump descreveu os protestos como um “ato de insurreição” orquestrado por “agitadores profissionais” e afirmou que usaria a lei se os funcionários de Minnesota não parassem os “ataques” a agentes do ICE. Embora o presidente tenha recuado ligeiramente nos últimos dias, fontes indicam que a preparação militar continua como medida preventiva.
Perspectivas variam: apoiadores da administração veem as operações do ICE como necessárias para combater crimes migratórios e restaurar a ordem, enquanto críticos, incluindo senadores democratas, argumentam que o envio de tropas representa um exagero que ameaça liberdades civis e pode escalar o conflito. Um juiz federal já ordenou restrições às ações de agentes do ICE contra manifestantes, citando violações potenciais de direitos constitucionais.
Impactos e Perspectivas Futuras
Essa preparação militar marca a primeira vez no século 21 que tropas ativas são colocadas em alerta para uma possível intervenção doméstica sob a Lei de Insurreição, ecoando eventos históricos como os distúrbios de Los Angeles em 1992. Em Minnesota, um estado com forte presença de comunidades imigrantes e histórico de ativismo (como os protestos após a morte de George Floyd em 2020), a tensão continua alta. Analistas preveem que qualquer implantação poderia resultar em mais confrontos, enquanto grupos de direitos humanos pedem diálogo e desescalada.
Fontes como Reuters, The Washington Post e CNN confirmam que a decisão final cabe a Trump, e a situação evolui rapidamente. Até o momento (19 de janeiro de 2026), nenhuma tropa federal foi implantada, mas o Pentágono enfatiza sua prontidão.
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Essa reportagem é baseada em relatos oficiais e jornalísticos, visando informar sobre um evento em desenvolvimento.


