
Bauru, SP – 29 de janeiro de 2026 – A Polícia Federal (PF) realizou na manhã desta quinta-feira uma operação em Bauru, no interior de São Paulo, resultando na prisão temporária de um homem brasileiro suspeito de atos preparatórios de terrorismo e integração a uma organização terrorista internacional. De acordo com a nota oficial da PF, o investigado estava envolvido na montagem de um colete com explosivos destinado a um atentado terrorista suicida em território nacional. A ação contou com o apoio do FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) e foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Bauru, onde foram cumpridos mandados de prisão temporária, busca pessoal e domiciliar, além de acesso imediato a dados eletrônicos e quebra de sigilo telemático.
As investigações revelaram que o suspeito, cuja identidade não foi divulgada para preservar o andamento do inquérito, mantinha ligações com o Estado Islâmico (EI, também conhecido como ISIS ou Daesh), um dos grupos jihadistas mais notórios do mundo, responsável por atentados em diversos países. Durante as buscas em sua residência, foram apreendidos itens para a fabricação de explosivos, confirmando os atos preparatórios. A PF enfatizou que a operação foi preventiva, visando neutralizar riscos à segurança pública e à ordem social antes de qualquer execução. Até o momento, não foram revelados alvos específicos, motivações políticas detalhadas ou conexões com outros indivíduos no Brasil.
Essa prisão ocorre em um contexto de crescente preocupação com o radicalismo jihadista no país. Especialistas em segurança nacional destacam que o Brasil, apesar de não ser um alvo primário histórico de grupos como o EI, tem registrado casos isolados de recrutamento e planejamento terrorista nos últimos anos. “O Estado Islâmico busca expandir sua influência por meio de propaganda online e células locais, e o Brasil não está imune a isso”, analisou um pesquisador de contraterrorismo consultado pela Folha de S.Paulo em reportagens recentes sobre o tema na rede X.
Entre os precedentes, destaca-se o caso de dezembro de 2024, quando Thiago José Silva Barboza de Paula, de 44 anos, foi preso em São Carlos (SP), também no interior paulista, por suspeita de recrutar brasileiros para o Estado Islâmico. Segundo a PF na ocasião, ele administrava um grupo radical online chamado “Comando 860”, onde compartilhava manuais de guerrilha, fabricação de explosivos e propaganda do EI. A prisão foi resultado de uma investigação que expôs como redes sociais e aplicativos de mensagens são usados para disseminar ideologia extremista.
Outros episódios reforçam esse padrão. Em julho de 2024, um brasileiro foi condenado a sete anos de prisão pela 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte (MG) por promover e integrar o Estado Islâmico, após ser preso em 2023 no Aeroporto de Guarulhos (SP), onde tentava embarcar para se juntar ao grupo no exterior. Em junho de 2023, a PF impediu outro brasileiro de viajar para se aliar ao EI, destacando o uso de lei antiterrorismo para crimes hediondos.

Casos mais antigos incluem a Operação Hashtag, em julho de 2016, quando dez brasileiros foram presos em São Paulo e no Paraná por ligações com o Estado Islâmico, planejando ações durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Em novembro de 2023, dois brasileiros foram detidos na Espanha por propagar terrorismo e manter vínculos com o EI, em cooperação com autoridades brasileiras. Esses incidentes ilustram a evolução do fenômeno no Brasil, de recrutamento online a tentativas de atos concretos, como o atual em Bauru.
A PF informou que as investigações prosseguem para identificar possíveis cúmplices ou redes associadas. A imprensa brasileira têm alertado para os riscos crescentes do terrorismo islâmico no país, impulsionados por conflitos globais no Oriente Médio. Enquanto isso, a cooperação internacional, como com o FBI, continua essencial para monitorar e prevenir ameaças.


