Boston, 17 de novembro de 2025 – Um júri do Tribunal Superior de Suffolk condenou a Polícia Estadual de Massachusetts a indenizar 26 oficiais atuais e aposentados em US$ 6,8 milhões por práticas discriminatórias sistemáticas em promoções entre 2012 e 2022.A principal beneficiária é a detetive-tenente aposentada Lisa Butner, mulher negra que receberá mais de US$ 4,1 milhões. Butner provou ter sido preterida repetidamente em favor de homens brancos menos qualificados, inclusive para uma vaga na divisão de assuntos internos em 2013. Após reclamar, foi transferida para turnos noturnos e quartéis distantes como retaliação.
Outros autores incluem os sargentos Luis Martinez e Dana Oliver (negro e hispânico) e as policiais Marion Fletcher e Deborah Ryan (mulheres brancas), que também demonstraram terem sido superados por candidatos com notas inferiores em exames escritos e orais.Testemunhos e análises estatísticas apresentadas ao júri revelaram um padrão claro: promoções para sargento, tenente e cargos de comando eram decididas por “conexões pessoais” dentro de um grupo dominante de homens brancos – descrito pelos próprios autores como “clube de meninos brancos”. Mulheres eram praticamente excluídas de unidades especializadas e negros e latinos ignorados mesmo com desempenho superior.“
Os dados não mentem: quem decidia era um círculo fechado que protegia os seus”, resumiu o advogado dos autores, Héctor Piñeiro.A Polícia Estadual afirmou em nota que, desde 2019, reformulou completamente os processos de promoção, adotando critérios objetivos e maior transparência.
Ainda assim, o júri considerou que as práticas discriminatórias foram intencionais e persistentes por uma década.
O veredicto é um dos maiores já registrados contra uma agência policial de Massachusetts por discriminação. Os valores incluem danos compensatórios e punitivos e ainda podem aumentar com juros até o pagamento final.


