Brasília, 10 de dezembro de 2025 – A Polícia Federal (PF) lançou, nesta quarta-feira (10/12), a Operação Alícia, uma ação conjunta com autoridades espanholas para desmantelar uma organização criminosa especializada no aliciamento de mulheres brasileiras, seu transporte aéreo para o exterior e a submissão a condições degradantes e ameaças para fins de exploração sexual na Espanha.
De acordo com o site oficial da PF, a operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão, todos expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. As ações foram realizadas nas cidades de São Paulo, São Pedro, Jundiaí e Ubatuba, no estado de São Paulo, além de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. Com o apoio da Interpol, duas prisões também foram efetuadas na província de Álava, na Espanha.
A investigação, conduzida em parceria com a Policía Nacional da Espanha por meio do Centro Especializado de Combate ao Tráfico de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes da Ameripol, revelou que o grupo atuava de forma sistemática: mulheres eram atraídas no Brasil com falsas promessas de oportunidades de trabalho ou vida melhor, transportadas em voos comerciais para a Europa e, ao chegarem à Espanha, coagidas a se prostituir sob ameaça de violência física, divulgação de fotos íntimas ou retaliações contra familiares. As vítimas eram mantidas em condições precárias, como imóveis superlotados e sem estrutura básica, em cidades como Madri e Bilbao.
A PF estima que a organização tenha movimentado cerca de R$ 40 milhões em lucros ilícitos ao longo de anos, provenientes da exploração das vítimas e de taxas cobradas para o “transporte” e “alojamento”. Documentos apreendidos indicam que os líderes do grupo, em sua maioria brasileiros com contatos na Europa, usavam redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar as mulheres, muitas delas em situação de vulnerabilidade socioeconômica em regiões periféricas de São Paulo e Rio de Janeiro.
“Essa operação representa um golpe significativo contra o tráfico internacional de pessoas, um crime que viola a dignidade humana e explora as fragilidades sociais”, afirmou o delegado responsável pela investigação, em nota divulgada pela PF. As autoridades espanholas destacaram a importância da cooperação bilateral, que permitiu o rastreamento de transações financeiras e a identificação de rotas aéreas usadas pelo grupo.
Os investigados responderão por crimes como tráfico de pessoas, associação criminosa e promoção de migração ilegal para fins de exploração sexual, com penas que podem ultrapassar 15 anos de prisão. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores, passaportes falsos e documentos bancários que comprovam as transferências de dinheiro para contas no exterior.
A Operação Alícia faz parte de uma série de ações recentes da PF contra o crime organizado transnacional, incluindo operações contra fraudes financeiras e migração ilegal. A instituição reforça que denúncias sobre tráfico de pessoas podem ser feitas anonimamente pelo disque 100 ou pelo site da PF. A operação segue em andamento, com possibilidade de novas prisões nos próximos dias.


