Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2026 (Junot) – A polilaminina, molécula desenvolvida ao longo de quase três décadas pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), representa um dos avanços mais promissores da medicina regenerativa brasileira. Derivada da laminina natural e recriada em laboratório a partir de proteínas da placenta humana, a substância forma uma malha biológica que estimula a regeneração de axônios danificados na medula espinhal. Aplicada diretamente na lesão durante cirurgias, ela já permitiu, em casos experimentais e aplicações compassivas autorizadas judicialmente, a recuperação parcial ou total de movimentos em pacientes tetraplégicos e paraplégicos.
Um dos exemplos mais conhecidos é o de Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2018 e, após receber a polilaminina em lesão aguda, voltou a andar, dirigir veículo manual, trabalhar e recuperar independência plena. Pelo menos sete pacientes apresentaram melhoras expressivas, com relatos de retorno de sensibilidade e mobilidade em pernas, mãos e braços. Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início da fase 1 de ensaios clínicos, focada em segurança e eficácia inicial, em parceria com o laboratório Cristália. A pesquisa posiciona o Brasil na vanguarda global do tratamento de lesões medulares, com potencial para beneficiar milhares via Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas aqui começa a tragédia brasileira, aquela que a gente já conhece de cor, mas que nunca deixa de envergonhar. Enquanto a ciência avança em silêncio e com suor, o Estado — esse ente abstrato e muitas vezes ausente — vira as costas. Entre 2015 e 2016, sob o governo Dilma Rousseff, cortes orçamentários brutais atingiram as universidades federais, incluindo a UFRJ. Contingenciamentos de bilhões no Ministério da Educação, decretos fiscais assinados pela própria presidente em meio à crise econômica que ela ajudou a aprofundar, deixaram laboratórios sem recursos básicos. A patente internacional da polilaminina, depositada em 2007 com potencial comercial enorme, exigia pagamento de anuidades em moeda estrangeira — dólares, euros, valores que pareciam trocados para o governo, mas eram impossíveis para uma universidade sangrando. Resultado? A inadimplência levou à caducidade irreversível. Não dá para reapresentar, não dá para recuperar. A descoberta 100% brasileira virou domínio público global: qualquer laboratório chinês, americano ou europeu pode produzir, vender e lucrar sem pagar um centavo de royalties ao Brasil, sem citar a origem na UFRJ, sem compensar décadas de trabalho público.
É de uma miopia criminosa. Dilma, com seu discurso de inclusão social e soberania nacional, assinou o atestado de óbito de uma inovação que poderia gerar receita, empregos qualificados e orgulho patriótico. Em vez disso, priorizou o ajuste fiscal desastroso, o populismo de curto prazo, as promessas vazias que afundaram o país na recessão mais profunda da história recente. A transição para Michel Temer em 2016 pegou o resto do estrago, mas o golpe fatal veio antes: em 2015, quando os contingenciamentos bateram recordes e a ciência virou variável de ajuste. Tatiana Sampaio, mulher de fibra, chegou a pagar taxas da patente nacional do próprio bolso para não perder tudo. Imaginem: uma cientista brilhante, que dedica a vida a curar paralisias, tendo que abrir a carteira porque o governo — o mesmo que se gaba de investir em educação — a abandonou.
E agora, no meio desse fiasco, o que a internet faz? Acorda. Um movimento espontâneo, orgânico, viralizou nas redes: milhares de posts, reels, threads e stories coroando Tatiana Coelho de Sampaio como a verdadeira “mulher mais influente do Brasil”. Tudo começou com a polêmica: uma declaração ligada à Veja ou a dirigentes de carnaval apontando Virgínia Fonseca — rainha das selfies, dos likes, do conteúdo leve e lucrativo — como a “mulher mais relevante midiaticamente”. A reação foi imediata e furiosa: “Enquanto uma faz dancinha, a outra devolve pernas a quem não anda há anos”. “Tatiana cura vidas, Virgínia vende curso online”. “Essa sim merece Nobel, não capa de revista de fofoca”.
Eles têm razão absoluta. Virgínia Fonseca tem milhões de seguidores, fatura fortunas com influência digital, mas o que ela transforma de fato? Algoritmos, consumo, vaidade passageira. Tatiana transforma neurônios partidos em conexões vivas, cadeiras de rodas em passos independentes, desespero em esperança. Ela influencia de verdade: muda destinos, devolve dignidade, prova que a ciência brasileira, quando não é sabotada, compete com o mundo. O movimento da web não é modinha; é um grito de revolta contra a inversão de valores. Num país que elege influencers para tudo, menos para governar a si mesmo, a multidão online fez justiça poética: apontou o dedo para quem realmente importa.
Políticos de plantão, acordem de uma vez. Sem financiamento estável à pesquisa, continuaremos perdendo patentes, cérebros e oportunidades. Exportaremos talentos para o exterior e importaremos remédios caros que nós mesmos inventamos. Tatiana não precisa de prêmios midiáticos fajutos; precisa de verbas, laboratórios equipados, respeito institucional. E o Brasil precisa dela — e de milhares como ela — mais do que de qualquer ranking de curtidas. Porque influência de verdade não se mede em seguidores: mede-se em vidas salvas. E nisso, Tatiana Coelho de Sampaio já é imbatível. O resto é barulho.


