
Boston, 27 de Janeiro de 2026
A repressão imigratória promovida pelo presidente Donald Trump contribuiu para uma acentuada redução na taxa de crescimento populacional dos Estados Unidos em 2025, ano em que a população do país alcançou cerca de 342 milhões de habitantes, conforme estimativas divulgadas pelo Escritório do Censo (U.S. Census Bureau).
A taxa de crescimento anual em 2025 foi de apenas 0,5%, valor significativamente inferior ao registrado em 2024, quando se aproximou de 1% — o maior patamar em duas décadas e impulsionado, em grande medida, pelo fluxo imigratório. No ano anterior, a população era estimada em 340 milhões de pessoas.
O aumento decorrente da imigração líquida caiu para aproximadamente 1,3 milhão de indivíduos em 2025, contra 2,8 milhões em 2024. Caso a tendência persista, projeta o próprio Census Bureau, o ganho migratório em meados de 2026 deverá reduzir-se a cerca de 321 mil pessoas. Cumpre notar que essas estimativas não diferenciam entre imigração legal e irregular.
Nos últimos 125 anos, a taxa de crescimento mais baixa havia sido observada em 2021, auge da pandemia de covid-19, quando o país cresceu apenas 0,16% (equivalente a 522 mil habitantes), com ingresso migratório limitado a 376 mil pessoas devido às restrições de viagem. Antes disso, o mínimo histórico próximo de 0,5% ocorreu em 1919, durante a epidemia de gripe espanhola.
Em 2025, os nascimentos superaram os óbitos em 519 mil pessoas, mantendo-se como componente positivo, porém modesto, do crescimento demográfico.
A queda na imigração impactou especialmente estados tradicionalmente atrativos para migrantes. A Califórnia registrou perda líquida de 9,5 mil habitantes em 2025 — inversão drástica em relação ao ganho de 232 mil no ano anterior —, apesar de a saída de residentes locais ter permanecido estável. A diferença residiu na imigração: o saldo migratório internacional despencou de 361 mil para 109 mil.
Na Flórida, observou-se declínio tanto na entrada de imigrantes quanto na migração doméstica (de outros estados). O estado, que enfrentou encarecimento imobiliário e aumento nos custos de seguros residenciais, atraiu apenas 22 mil migrantes internos em 2025 (contra 64 mil em 2024), enquanto o saldo de imigrantes internacionais caiu de mais de 411 mil para 178 mil.
Em Nova York, o acréscimo populacional foi mínimo (1.008 pessoas), explicado sobretudo pela redução do saldo migratório internacional, de 207 mil para 95,6 mil.
Por outro lado, Carolina do Sul, Idaho e Carolina do Norte apresentaram as maiores taxas de crescimento ano a ano, entre 1,3% e 1,5%. Em números absolutos, Texas, Flórida e Carolina do Norte lideraram os ganhos populacionais.
As estimativas de 2025 refletem o período de julho de 2024 a julho de 2025, abrangendo os meses finais da administração Biden e a primeira metade do segundo mandato de Trump, iniciado em janeiro de 2025. O tema da imigração na fronteira sul foi central na campanha vitoriosa de Trump em 2024, e os dados capturam o início de operações de reforço em cidades como Los Angeles e Portland, embora ainda não incorporem os efeitos plenos das ações subsequentes em Chicago, Nova Orleans, Memphis e Minneapolis.
Em 2024, a migração internacional respondeu por 84% do aumento de 3,3 milhões de habitantes. O salto daquele ano decorreu, em parte, de ajustes metodológicos que incluíram admissões por razões humanitárias.
Eric Jensen, cientista sênior do Census Bureau, observou que os números confirmam tendências recentes de redução na entrada e aumento na saída de migrantes.
Diferentemente do censo decenal — que define a distribuição de cadeiras no Congresso, votos no Colégio Eleitoral e repasse de cerca de 2,8 trilhões de dólares anuais em recursos federais —, as estimativas anuais baseiam-se em registros administrativos e dados internos do bureau.
A divulgação das estimativas de 2025 sofreu atraso em razão do fechamento parcial do governo federal no outono anterior e ocorre em momento delicado para o Census Bureau, que perdeu cerca de 15% de seu quadro funcional em decorrência de demissões e incentivos à saída promovidos pela Casa Branca e pelo Departamento de Eficiência Governamental.
Ações recentes da administração Trump, como a exoneração da comissária do Bureau of Labor Statistics, geraram preocupações quanto a possíveis interferências políticas em agências estatísticas. No entanto, o demógrafo William Frey, do Brookings Institution, afirmou não haver indícios de que os técnicos do bureau tenham sofrido interferências em seu trabalho habitual, razão pela qual considera confiáveis os números apresentados.


