
O caso Epstein continua a expor o grande escalão da política americana, e não apenas pelas conexões escandalosas do financista morto. Desta vez, o foco é na hipocrisia conveniente em torno da liberação dos arquivos — um debate que revela como Washington adora normas quando elas servem, e as ignora quando incomodam.
Os arquivos Epstein, esse vasto emaranhado de documentos sobre o tráfico sexual orquestrado pelo falecido financiador Jeffrey Epstein, viraram arma de arremesso partidário. E no centro dessa encenação está Kamala Harris, cuja retórica oscila entre exigências estridentes e desculpas esfarrapadas, dependendo de quem ocupa a Casa Branca.
Vamos aos fatos crus. Em novembro de 2025, Harris foi ao podcast The Bulwark e atacou Donald Trump com veemência: “Libere os arquivos!”, bradou ela, acusando o presidente de manipular a opinião pública ao esperar pela aprovação do Congresso. Para Harris, Trump – como chefe do Executivo – tinha plenos poderes para agir unilateralmente, sem burocracias. Ela insinuou, sem rodeios, que o atraso era um encobrimento, talvez para proteger si mesmo ou aliados, dado que o nome de Trump surge em menções nos arquivos. Mas eis a virada: apenas um mês depois, em dezembro, no programa de Jimmy Kimmel, Harris defendeu a inação da administração Biden-Harris durante quatro longos anos. “Acreditávamos firmemente na separação absoluta entre o que queríamos como administração e o que o Departamento de Justiça fazia”, disse ela, elevando a “independência” do DOJ a um altar intocável. Foi “certo” fazer assim, segundo ela – uma desculpa que soa como pretexto para inércia conveniente.
Qual é a lógica aqui? Se o presidente tem autoridade para forçar a liberação – como Harris exigiu de Trump –, por que Biden e ela própria não exerceram essa pressão? Os arquivos não são um mistério inalcançável: grande parte está sob discricionariedade executiva, sem necessidade de leis ou ordens judiciais. Merrick Garland, o procurador-geral de Biden, poderia ter agido, mas optou pelo silêncio, sob o manto da “norma pós-Watergate”. Norma? Isso é eufemismo para seletividade: quando se trata de expor rivais, a independência evapora; quando protege o próprio lado, vira dogma sagrado.
E os democratas não param na hipocrisia. Eles adoram apontar fotos de Trump ao lado de Epstein para insinuar cumplicidade criminosa, pintando-o como predador sexual. Mas ignoram convenientemente as conexões de seus próprios ícones – como Bill Clinton, que voou no jato de Epstein dezenas de vezes. Se os arquivos são tão cruciais para a justiça, por que os democratas, com controle total do Executivo por quatro anos, não moveram um dedo? Tiveram sua chance de fazer o certo: revelar a verdade, expor todos os envolvidos, independentemente de partido. Em vez disso, mantiveram tudo trancado, só para agora reclamar de “cover-up” parcial sob Trump, que assinou a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (H.R. 4405) em novembro de 2025 e iniciou liberações massivas – mais de 3 milhões de páginas, vídeos e imagens – via Pam Bondi.
Harris queria os arquivos revelados? Então deveria ter pressionado Garland, não posado de guardiã da lei enquanto exigia de Trump o que se recusou a fazer. Essa duplicidade não é ética; é cálculo político puro. Exigir transparência alheia para parecer “acima da lei”, enquanto esconde o jogo em casa. Os democratas desperdiçaram sua oportunidade – e agora posam de vítimas. Em Washington, a justiça é seletiva, e a hipocrisia, universal.


