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Washington, 23 de março de 2026 — Centenas de agentes da Immigration and Customs Enforcement (ICE) começaram a atuar nesta segunda-feira em cerca de 14 aeroportos principais dos Estados Unidos para auxiliar a Transportation Security Administration (TSA) em meio à crise causada pelo impasse orçamentário parcial do Departamento de Segurança Interna (DHS). A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, visa aliviar o caos gerado por faltas em massa de agentes da TSA, que trabalham sem salário há semanas.
Os agentes do ICE foram enviados para hubs como Hartsfield-Jackson Atlanta (ATL), Chicago O’Hare (ORD), JFK e LaGuardia (Nova York), Newark (EWR), Houston (IAH e HOU), New Orleans (MSY), Cleveland (CLE), Pittsburgh (PIT), Phoenix (PHX), Fort Myers (RSW), Philadelphia (PHL) e San Juan (SJU), entre outros. Eles estão atuando em tarefas de suporte: controle de multidões, vigilância de saídas de emergência, verificação auxiliar de documentos e organização de filas — sem operar scanners ou triagem primária de passageiros, funções exclusivas da TSA treinada.
Impacto no tempo de espera e na segurança: positivo, mas limitado no Dia 1
O efeito prático foi incipiente. Em aeroportos como Atlanta, Newark e JFK, as filas continuam longas — com esperas de 2 a 6 horas em alguns casos —, e vários terminais aconselham passageiros a chegar com 4 horas de antecedência. Especialistas e ex-diretores da ICE afirmam que a presença dos agentes não deve reduzir significativamente os tempos de espera no curto prazo, pois o gargalo principal é a triagem de segurança feita pela TSA reduzida.
Pontos positivos observados:
- Melhoria na organização de multidões e fluxo de passageiros (crowd control).
- Liberação de agentes da TSA para postos críticos de triagem.
- Estabilização geral do caos, evitando piora maior em terminais sobrecarregados.
Segurança: Não há relatos de incidentes graves, confrontos ou problemas operacionais até o final da tarde de hoje. A presença federal reforçada atua como dissuasor e mantém os protocolos intactos. No entanto, críticos (incluindo sindicatos da TSA) questionam o treinamento específico dos agentes do ICE para ambiente aeroportuário.
Importante: ICE não está em todos os aeroportos — incluindo Logan em Boston e toda a Nova Inglaterra
Diferente do que muitos imaginavam, os agentes do ICE não foram enviados para todos os aeroportos do país. Aeroportos da região da Nova Inglaterra (Massachusetts, Maine, New Hampshire, Vermont, Rhode Island e Connecticut), como o Boston Logan International Airport (BOS), ficaram de fora da operação inicial.
Por quê Logan e o Nordeste não receberam agentes do ICE?
O presidente do sindicato local da TSA (AFGE Local 2617), Mike Gayzagian, confirmou explicitamente: “ICE não virá para nenhum aeroporto da Nova Inglaterra”. A razão é clara e prática:
- A região não enfrenta os mesmos problemas graves de staffing e filas quilométricas vistos em hubs nacionais.
- No Logan, as esperas hoje ficaram entre 8 e 30 minutos (média de 13-15 minutos na maior parte do dia), consideradas normais ou até rápidas.
- A Massport (autoridade portuária de Massachusetts) afirma que os checkpoints estão “suficientemente staffados” e que o aeroporto não foi “atingido pelo caos nacional”.
- Gayzagian resumiu: “A Nova Inglaterra não viveu os mesmos problemas que outras partes do país, por isso essa medida não é necessária no momento. Se a situação piorar, reavaliaremos”.
Outros aeroportos do Nordeste, como os de Worcester ou regiões adjacentes, também não foram incluídos por enquanto. Philadelphia (PHL), que é Mid-Atlantic, sim recebeu agentes — mas o foco foi apenas nos locais com maior crise.
O que esperar nos próximos dias
A implantação é temporária (“band-aid”, segundo analistas) e depende da negociação no Congresso para acabar com o shutdown. Passageiros devem continuar checando apps como FlyLogan (que lançará novo tracker de tempos reais em abril) ou sites oficiais. No Logan, o conselho segue o mesmo de sempre: 2h antes para domésticos e 3h para internacionais.
A crise da TSA expõe as fragilidades do sistema, mas o primeiro dia do ICE mostrou que, onde foi necessário, a ajuda federal chegou — mesmo que o alívio ainda seja parcial.


