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A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta sexta-feira (2 de janeiro de 2026), o ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República Filipe Garcia Martins Pereira, em sua residência em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ordem de prisão preventiva foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou o regime de prisão domiciliar em que Martins se encontrava desde 27 de dezembro de 2025.
De acordo com a decisão judicial, a prisão ocorreu devido ao descumprimento de medidas cautelares impostas pelo STF, especificamente a proibição de uso de redes sociais. O ministro Moraes apontou indícios de que Martins acessou a plataforma LinkedIn em 29 de dezembro de 2025 para realizar buscas de perfis de terceiros. Uma denúncia sobre o fato chegou ao gabinete do ministro via e-mail, o que motivou a intimação da defesa para esclarecimentos em 30 de dezembro.
Defesa nega uso indevido
A defesa de Filipe Martins, representada por advogados, negou que o ex-assessor tenha utilizado pessoalmente a rede social. Em manifestação enviada ao STF em 31 de dezembro, os defensores afirmaram que todas as contas digitais associadas a Martins estão sob custódia exclusiva da equipe jurídica desde fevereiro de 2024, com o objetivo de preservar provas e organizar informações relevantes para a defesa. No entanto, Moraes considerou que houve violação, pois a própria defesa admitiu o acesso à plataforma, rejeitando a justificativa apresentada.
Contexto da condenação
Filipe Martins, de 38 anos, foi condenado pela Primeira Turma do STF em 16 de dezembro de 2025 a 21 anos e 6 meses de prisão por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de bem tombado. Ele integrava o chamado “núcleo 2” da trama investigada, acusado de operacionalizar ações para manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022, incluindo a elaboração e apresentação da “minuta do golpe” ao ex-presidente.
A prisão domiciliar havia sido decretada em 27 de dezembro como medida preventiva, após tentativas de fuga de outros condenados no mesmo processo, como o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques. Além da proibição de redes sociais, as cautelares incluíam uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte e restrição de visitas.
Martins foi levado inicialmente à sede da PF em Ponta Grossa e, posteriormente, transferido para um presídio na região. A condenação ainda permite recursos, e a prisão atual é preventiva, não o início definitivo do cumprimento da pena.


