Olá, meus caros leitores. O artigo de hoje é diferente. Trago uma vivência para dividir com vocês — uma experiência que fala sobre a importância da amizade, da gratidão e da fé na vida. Há momentos que não cabem em palavras imediatas. Eles chegam devagar, atravessam o coração, bagunçam certezas e permanecem em nós como uma emoção que ainda está sendo digerida. Foi exatamente assim que vivi recentemente ao completar 70 anos. Eu acreditava que já tinha sido lembrada.
Celebrei meu aniversário com um jantar simples, rodeada pela família que tenho aqui nos Estados Unidos — filhas, netas e genros. Foi bonito, afetuoso, sufi ciente. Ou assim pensei. Dentro de mim, havia aquela sensação serena de quem reconhece: a vida está boa, estou em paz, fui cuidada. No domingo seguinte, saí de casa acreditando que iria a um evento da minha neta. Nada fora do comum.
Um compromisso familiar, mais um gesto de presença. Mal sabia eu que aquele caminho não era para assistir, mas para receber. Quando cheguei ao local — um espaço elegante, cuidadosamente preparado — fui tomada por um silêncio interno difícil de explicar. Pessoas estavam ali à minha espera, lindas, arrumadas, emocionadas. Rostos conhecidos do trabalho, amigos queridos, membros da comunidade religiosa, pessoas que fazem parte da minha história. E então veio o impacto maior: familiares vindos do Brasil e de outros lugares, presenças que eu jamais imaginaria reencontrar ali, naquele momento.
Era uma festa surpresa. Mas, mais do que isso, foi uma revelação. Ali, diante de tantos vínculos reunidos, percebi algo que vai além da comemoração de uma data: percebi a força da amizade construída ao longo da vida. Amizades que atravessaram anos, mudanças, países, fases boas e difíceis. Amizades que não fazem barulho no dia a dia, mas que se levantam em silêncio para dizer: você importa.
Esse relato carrega um desejo profundo: que desperte algo de bom em quem lê, especialmente naqueles que já desacreditaram, que estão cansados ou que acreditam que a vida apenas repete perdas e frustrações. Porque coisas boas ainda podem acontecer — e muitas vezes acontecem de forma inesperada.
Aquele momento foi uma resposta silenciosa à descrença. Uma lembrança viva de que acreditar ainda vale a pena. Nada disso nasce do acaso. Amizade verdadeira é fruto de presença, respeito, escuta e cuidado cultivados ao longo do tempo. A gratidão que senti não foi aquela dita em frases prontas. Foi profunda, quase silenciosa, misturada com espanto, alegria e humildade.
Gratidão por estar viva. Gratidão por ter sido instrumento de algo bom na vida de tantas pessoas. Gratidão por perceber que gestos simples, repetidos ao longo dos anos, constroem pontes invisíveis que um dia nos sustentam.
A amizade e a gratidão não nascem apenas da reflexão racional, nem somente da experiência espiritual. Elas surgem do encontro sensível entre a psicologia do afeto humano e a fé cristã que sustenta a esperança. Aqui, não falo a partir de teorias ou conceitos técnicos, mas de uma vivência real que tocou profundamente as emoções, a memória e o sentido da vida.
Sob o olhar psicológico, amizade, gratidão e pertencimento são elementos fundamentais para a saúde emocional. Fortalecem a identidade e nos ajudam a atravessar o tempo com mais equilíbrio. Sob a perspectiva cristã, esses mesmos elementos revelam o cuidado de Deus manifestado por meio das pessoas, dos vínculos e dos encontros que Ele permite ‑ florescer ao longo do caminho. Este texto, portanto, não é apenas um relato pessoal.
É um convite à escuta interior. Um chamado para lembrar que, quando cultivamos a fé, a gratidão e amizades verdadeiras, a vida encontra maneiras surpreendentes de nos alcançar. Aos 70 anos, fui presenteada com algo raro: a con rmação de que a vida, quando vivida com fé, verdade e generosidade, deixa frutos. E esses frutos retornam como cuidado, reconhecimento e amor — não como obrigação, mas como escolha. Esse momento também simbolizou um renovo. Um tempo em que a saúde tem melhorado, o corpo responde com mais gentileza, a mente está mais clara e a fé na vida se fortalece.
Não uma fé ingênua, mas amadurecida — aquela que sabe que nem tudo foi fácil e, ainda assim, escolhe agradecer. Aprendi que a amizade é um dos maiores atos de generosidade humana. E que a gratidão não é apenas agradecer o que recebemos, mas reconhecer quem nos tornamos ao longo do caminho. Voltei para casa diferente. Mais inteira. Mais consciente.
Profundamente tocada pela certeza de que ainda há muito a viver, a sentir e a compartilhar. Que nunca percamos a capacidade de sermos surpreendidos pela vida. Que saibamos celebrar os outros — e aceitar, com humildade, quando chega a nossa vez de ser celebrados. Porque viver, no m das contas, é isso: pertencer, agradecer e continuar. Hoje, convido você a ler com o coração aberto, permitindo que a psicologia ilumine o entendimento e que a fé aqueça a esperança
. “A bondade do Senhor é a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm m; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.”
(Lamentações 3:22–23) Até a próxima Semana
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


