Washington, 13 de janeiro de 2026 – Os primeiros dez dias de 2026 já registram a morte de quatro migrantes sob custódia da Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), segundo comunicados oficiais do governo. O fato marca um começo extremamente grave para o ano, logo após 2025 ter registrado o número recorde de óbitos em detenção durante a administração Trump.
As mortes ocorreram entre os dias 3 e 9 de janeiro e envolveram migrantes de diferentes nacionalidades: dois hondurenhos, um cubano e um cambojano.
A administração Trump tem intensificado a política de deportações em massa e ampliado significativamente o número de pessoas detidas. Em 7 de janeiro, a ICE já mantinha cerca de 69 mil pessoas sob custódia – número que deve crescer ainda mais após a aprovação de volumoso aporte financeiro pelo Congresso.
Em 2025, pelo menos 30 a 32 pessoas morreram sob custódia da ICE, o maior número em duas décadas, de acordo com dados da própria agência e reportagens de veículos como Reuters e The Guardian.
Setareh Ghandehari, diretora de advocacy da Detention Watch Network, classificou os números como “realmente estarrecedores” e voltou a cobrar o fechamento dos centros de detenção para migrantes.
Por outro lado, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, defendeu que a taxa de mortalidade se mantém alinhada aos padrões históricos, mesmo com o aumento da população carcerária.
“À medida que expandimos o espaço de camas, mantivemos um padrão de cuidados superior ao da maioria das prisões que abrigam cidadãos americanos — incluindo acesso a cuidados médicos adequados”, afirmou McLaughlin.
As vítimas e as circunstâncias das mortes
- Geraldo Lunas Campos, cubano de 55 anos, faleceu em 3 de janeiro no Camp East Montana, novo centro de detenção aberto pela administração Trump no complexo militar de Fort Bliss, no Texas. Segundo a ICE, ele teria se tornado “perturbador” enquanto aguardava medicação, foi colocado em isolamento e depois encontrado em sofrimento. Técnicos de emergência o declararam morto. A causa segue sob investigação.
- Luis Gustavo Nunez Caceres, hondurenho de 42 anos, morreu em 5 de janeiro em hospital da região de Houston, após complicações cardíacas.
- Luis Beltran Yanez–Cruz, hondurenho de 68 anos, faleceu em 6 de janeiro em hospital de Indio, na Califórnia, também vítima de problemas cardíacos.
- Parady La, cambojano de 46 anos, morreu em 9 de janeiro no Centro Federal de Detenção de Filadélfia, após graves sintomas de abstinência de drogas. O local começou a ser utilizado para detenção migratória em 2025.
A atual administração reduziu drasticamente a liberação de migrantes sob critérios humanitários, prática que, segundo críticos, tem levado muitos a aceitarem a deportação voluntária diante das condições de detenção prolongada.
Além das mortes em custódia, o clima tenso em torno da política migratória ganhou ainda mais força na semana passada, quando um agente da ICE matou a tiros uma mulher em Minnesota — episódio que gerou protestos em Minneapolis e em várias cidades do país.
Os acontecimentos reacendem o debate sobre as condições nos centros de detenção, a qualidade do atendimento médico e os impactos da política de endurecimento migratório implementada desde o início do segundo mandato de Trump.


