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Nova York, 5 de janeiro de 2026– O juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, será o responsável por conduzir o processo penal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. A primeira audiência correu nessa segunda-feira, 05,em Manhattan, onde o casal enfrentará acusações graves de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de armas de fogo.
Maduro e Flores foram capturados em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, na madrugada de sábado, 3 de janeiro, e transferidos para Nova York, onde permanecem detidos no Metropolitan Detention Center, em Brooklyn. As acusações, formalizadas em uma denúncia de 2020 e atualizada recentemente, alegam que Maduro liderou o chamado “Cartel dos Sóis”, utilizando estruturas do Estado venezuelano para introduzir toneladas de cocaína nos EUA ao longo de mais de duas décadas.
Hellerstein, um dos juízes mais experientes e longevos do sistema judicial americano, tem uma carreira marcada por casos de alto perfil e sensibilidade política. Nascido em Nova York em 1933, formou-se em Direito pela Universidade de Columbia e serviu no Corpo de Advogados Gerais do Exército dos EUA entre 1957 e 1960. Após décadas na prática privada, foi nomeado juiz federal em 1998 pelo então presidente Bill Clinton, ocupando uma vaga na Corte do Distrito Sul.
Ao longo de sua trajetória, Hellerstein lidou com processos que vão de disputas de direitos autorais a litígios relacionados aos atentados de 11 de setembro. Um dos casos mais notórios envolveu Shakira: em 2014, o juiz deu razão parcial à gravadora Mayimba Music, que acusava a cantora colombiana e a Sony de plágio no hit “Loca” (2010), considerando-o uma cópia ilegal de “Loca con su Tiguere”, do dominicano Ramón Arias Vásquez. Hellerstein condenou apenas a gravadora, isentando Shakira por desconhecimento e excluindo a versão em inglês da sentença.
Em 2012, o juiz admitiu uma ação milionária dos proprietários das Torres Gêmeas contra as companhias aéreas American Airlines e United Continental, alegando negligência nos controles de segurança que permitiram os atentados de 11 de setembro, com quase 3 mil mortos. Hellerstein rejeitou recursos das aéreas e permitiu que o caso prosseguisse por uma indenização de US$ 2,8 bilhões.
Mais recentemente, em 2019, Hellerstein participou do caso contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, desestimando 17 acusações de abuso sexual. Em 2020, ordenou a liberação de Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, por considerar restrições indevidas à sua liberdade de expressão.
Hellerstein também tem experiência direta com casos venezuelanos: ele preside o processo contra o ex-general Hugo Armando “Pollo” Carvajal, ex-chefe de inteligência do regime chavista, acusado de narcotráfico no mesmo tribunal. Carvajal, que se declarou culpado no ano passado, pode ser uma testemunha chave contra Maduro.
Outras decisões notáveis incluem o bloqueio temporário de deportações de imigrantes em 2025, exigindo notificação prévia e audiência, e rejeições a pedidos de redução de pena baseados em argumentos religiosos ou de nacionalidade.
Com essa bagagem, Hellerstein assume agora um dos processos mais emblemáticos da história judicial recente dos EUA: o julgamento de um ex-chefe de Estado capturado em operação militar, em meio a tensões geopolíticas globais. A audiência inicial desta segunda-feira marcou o início formal do caso, que pode se estender por meses ou anos, dependendo das defesas apresentadas.


