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É o que revelam os dados mais recentes sobre o patrimônio líquido (net worth) dos americanos: a riqueza acumulada tende a crescer significativamente ao longo das décadas de vida.
De acordo com relatório da Empower, empresa de serviços financeiros, baseado em dados anonimizados de seus usuários em outubro de 2025, o patrimônio médio de americanos na faixa dos 50 anos chega a aproximadamente US$ 1,37 milhão (cerca de R$ 7,8 milhões, na cotação atual). Já na faixa dos 60 anos, o valor sobe para US$ 1,58 milhão. Em contraste, jovens na faixa dos 20 anos apresentam patrimônio médio de apenas US$ 127.730.
Esses números, embora estimados a partir de uma base específica de clientes, são consistentes com tendências observadas no Survey of Consumer Finances (Pesquisa de Finanças ao Consumidor), estudo trienal do Federal Reserve. A edição mais recente, de 2022, já indicava patrimônio médio de US$ 1,1 milhão para pessoas entre 50 e 54 anos, e US$ 1,4 milhão para a faixa de 55 a 59 anos.
A fórmula do enriquecimento: ações, imóveis e tempo
Especialistas em finanças atribuem esse crescimento expressivo da riqueza a três pilares principais: investimentos em ações, valorização de imóveis e o poder do tempo.
O índice S&P 500, principal referência do mercado acionário americano, registrou valorização de cerca de 256% na última década (aproximadamente 13,5% ao ano, em média), segundo análises recentes. “A explosão do mercado de ações nos últimos 20 anos — e mesmo nos últimos três — fez com que muitos clientes digam: ‘Nunca imaginei que teria tanto’”, relata Ryan Viktorin, vice-presidente e consultor financeiro da Fidelity Investments.
O efeito da composição (compounding) é poderoso: uma carteira que rende 10% ao ano em média tende a dobrar de valor a cada 7 a 10 anos. Em um horizonte de 40 anos, isso representa múltiplas duplicações, transformando investimentos modestos em fortunas consideráveis.
Os imóveis também atuam como uma “caixinha forte” gigante. Embora os preços de casas não subam tão rápido quanto ações, a posse de imóvel permite construir patrimônio ao longo dos anos por meio de pagamentos de hipoteca e apreciação natural do bem. Taxas de propriedade aumentam com a idade, e americanos mais velhos tendem a acumular maior equity (patrimônio líquido) em suas residências.
Além disso, heranças contribuem: a probabilidade cumulativa de receber bens ou dinheiro cresce a cada década. “Pessoas na faixa dos 50 anos frequentemente herdam casas, quando já possuem a própria”, observa Colin Day, planejador financeiro certificado da Mercer Advisors.
Média versus mediana: a distorção dos super-ricos
Um alerta importante: os valores médios (average) são puxados para cima por uma minoria muito rica. A mediana — o valor central em uma lista ordenada — é bem mais modesta. Para a faixa dos 50 anos, por exemplo, a mediana é de apenas US$ 192.964, contra a média de US$ 1,37 milhão.
Patrimônio médio e mediano por faixa etária (dados Empower, outubro 2025)
- 20 anos
Média: US$ 127.730
Mediana: US$ 6.689
Muitos ainda lidam com dívidas estudantis, de carro ou cartão de crédito. “Na casa dos 20, o objetivo principal é voltar a zero”, diz Jonathan Swanburg, planejador financeiro em Houston. - 30 anos
Média: US$ 321.549
Mediana: US$ 24.508
Despesas com filhos pequenos e creche pesam, mas a carreira começa a se estabilizar. - 40 anos
Média: US$ 770.892
Mediana: US$ 76.479
O compounding começa a se manifestar, e despesas com filhos podem diminuir. - 50 anos
Média: US$ 1.369.809
Mediana: US$ 192.964
Pico de ganhos profissionais; imóvel pode ser o maior ativo. - 60 anos
Média: US$ 1.576.784
Mediana: US$ 290.920
Auge da riqueza acumulada; muitos quitam hipotecas e reduzem despesas. - 70 anos
Média: cerca de US$ 1,5 milhão (estimativa aproximada)
Mediana: cerca de US$ 232.712
Início do declínio, com aposentadoria e gasto das poupanças, mas mercado forte ajuda a preservar patrimônio.
Os dados da Empower mostram que a riqueza nos Estados Unidos não surge da noite para o dia: ela é construída pacientemente, com disciplina financeira, exposição ao mercado e o inevitável passar dos anos. Para muitos, envelhecer continua sendo, de fato, o caminho mais seguro para enriquecer.


