Por: JSNews
Washington, 24 de fevereiro de 2026 – Em um momento em que o presidente Donald Trump se prepara para discursar no Congresso em seu segundo mandato, uma nova pesquisa da Reuters/Ipsos revela um retrato inquietante da percepção pública sobre sua capacidade cognitiva. Nada menos que 61% dos americanos acreditam que Trump, aos 79 anos, tem se tornado “mais errático com a idade”, um sinal de crescente desconforto com a longevidade dos líderes políticos nos Estados Unidos. Essa visão não se restringe a opositores: 30% dos republicanos, 64% dos independentes e impressionantes 89% dos democratas compartilham dessa opinião, destacando uma fissura até mesmo no eleitorado que o reconduziu à Casa Branca em 2024.
A pesquisa, realizada entre 18 e 23 de fevereiro com 4.638 adultos e uma margem de erro de dois pontos percentuais, surge no contexto de um mandato marcado por decisões controversas e um ritmo acelerado de políticas. Trump, que assumiu o cargo em janeiro de 2025 como o presidente mais velho já empossado aos 78 anos, tem impulsionado tarifas amplas sobre importações de dezenas de países e enviado agentes federais mascarados para combater a imigração ilegal – medidas que geraram reações intensas, incluindo críticas à Suprema Corte por derrubar algumas delas como inconstitucionais. No entanto, o foco da enquete não está apenas nas ações, mas na percepção de sua estabilidade mental. Apenas 45% dos entrevistados o descrevem como “mentalmente afiado e capaz de lidar com desafios”, uma queda significativa em relação aos 54% registrados em setembro de 2023. Entre os republicanos, 81% ainda o veem como afiado, mas o apoio cai para 36% entre independentes e meros 19% entre democratas.
Esse declínio na confiança não é isolado. A pesquisa também captura um descontentamento mais amplo com a gerontocracia em Washington: 79% dos americanos concordam que os “eleitos em D.C. são velhos demais para representar a maioria”. Democratas, ironicamente, são ligeiramente mais propensos a criticar a idade de seus próprios líderes, com 58% achando que o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, de 75 anos, é “velho demais para o governo“. A média de idade no Senado é de 64 anos, e na Câmara, de 58 – números que contrastam com uma nação onde a expectativa de vida e as demandas modernas exigem vigor renovado.
Trump, que deve completar 80 anos em junho, tem rebatido questionamentos sobre sua saúde com veemência, chamando reportagens sobre o tema de “sediciosas”. Relatos do New York Times indicam uma agenda com menos eventos públicos e viagens domésticas em comparação ao primeiro mandato, além de episódios em que o presidente pareceu cochilar em reuniões. Em janeiro, Trump admitiu em entrevista à New York Magazine que fecha os olhos em reuniões de gabinete por serem “entediante como o inferno”. No ano passado, após diagnóstico de insuficiência venosa crônica, ele lamentou ter seguido conselhos médicos para um exame de ressonância magnética, culpando os profissionais do Walter Reed: “Foi a pior coisa que eu já fiz, e eu os culpo”.
A Casa Branca reagiu com firmeza à pesquisa. O porta-voz Davis Ingle qualificou os resultados como “narrativas falsas e desesperadas”, enfatizando a “agudeza, energia inigualável e acessibilidade histórica” de Trump, em contraste com seu antecessor, Joe Biden, que deixou o cargo aos 82 anos sob críticas semelhantes por declínio cognitivo. Apesar das preocupações, a aprovação geral de Trump subiu ligeiramente para 40%, dois pontos acima do início do mês, embora permaneça abaixo dos 47% com que iniciou o mandato.
Nas redes sociais, como o X (antigo Twitter), as reações à pesquisa são polarizadas. Usuários como @RpsAgainstTrump destacam os 61% como evidência de “declínio”, enquanto apoiadores como @Handbags4Hunger a descartam como “peça de ataque patética” baseada em uma amostra insignificante. Outros, como @greenspaceguy, rotulam o presidente de “#TrumpDementia“, ecoando preocupações sobre sua estabilidade. Veículos como The Hill e Yahoo News repercutem os dados, notando que até conservadores como Megyn Kelly já o descreveram como “divagante” em discursos. No entanto, defensores como o secretário de Estado Marco Rubio insistem que Trump é “saudável demais” e “ativo demais”.
Essa enquete não é apenas um termômetro de opinião; ela reflete uma tendência mais profunda na política americana, onde a idade se torna um fator decisivo, como visto na saída de Biden. Com Trump a caminho de superar o recorde de longevidade presidencial, as questões sobre sucessão – incluindo o vice-presidente J.D. Vance – ganham relevância. Em um país dividido, a percepção de erraticidade pode minar não só a agenda de Trump, mas a coesão nacional. Resta observar se o discurso de Estado da União, marcado para hoje, dissipará essas dúvidas ou as amplificará. A democracia americana, afinal, depende não apenas de políticas, mas da confiança em quem as conduz.


