Tiago Prado
Por décadas, os empréstimos garantidos pela SBA foram um pilar para a fundação e crescimento de pequenos negócios nos Estados Unidos. Para muitos imigrantes, esse era o caminho mais acessível para transformar o “Sonho Americano” em realidade. No entanto, a nova política implementada pela administração Trump redefine drasticamente quem pode acessar esse capital vital.
A regra é clara: para se qualificar para um empréstimo da SBA, 100% da propriedade da empresa deve pertencer a cidadãos americanos ou “nacionais dos EUA”. Isso exclui milhões de residentes permanentes legais (portadores de green card), detentores de vistos de trabalho (como H-1B e L-1) e outros imigrantes legalmente autorizados a trabalhar e empreender no país. A mudança ameaça sufocar o crescimento de um dos setores mais dinâmicos da economia americana, já que imigrantes têm quase o dobro da probabilidade de iniciar um negócio em comparação com nativos.
O impacto é particularmente severo para as comunidades latina e asiática, que demonstram altas taxas de empreendedorismo, mas muitas vezes enfrentam barreiras em obter financiamento tradicional. Sem o apoio da SBA, que reduz o risco para os bancos e facilita a aprovação de crédito, muitos negócios promissores podem nunca sair do papel. O Fim de uma Era: E Agora? Com o financiamento governamental fora de alcance, empreendedores imigrantes precisam se voltar para o setor privado e organizações de apoio comunitário.
A boa notícia é que existem alternativas robustas, embora mais competitivas. Community Development Financial Institutions (CDFIs): Essas instituições financeiras são focadas em servir comunidades de baixa renda e minorias, oferecendo empréstimos com termos mais flexíveis que os bancos tradicionais.
Fintechs e Credores Online: Plataformas como Fundera, OnDeck e Kabbage oferecem processos de aplicação rápidos e podem ter critérios de elegibilidade mais amplos, embora com taxas de juros potencialmente mais altas. Fundos de Venture Capital e Anjos-Investidores: Para startups com alto potencial de crescimento, buscar investimento de risco (VC) ou de anjos-investidores que valorizam a diversidade e o mercado imigrante pode ser uma opção.
Organizações Sem Fins Lucrativos: Entidades como a Immigrants Rising oferecem subsídios (grants) e recursos especificamente para empreendedores indocumentados e de comunidades imigrantes, como o seu “Entrepreneurship Fund”. A nova regra da SBA é, sem dúvida, um obstáculo significativo. No entanto, ela também força a comunidade empreendedora imigrante a explorar um ecossistema de financiamento mais diversificado e resiliente.
O caminho para o sucesso ficou mais íngreme, mas para aqueles acostumados a superar barreiras, a busca por capital continua – agora, com um novo mapa.


