Tiago Prado
A chamada estratégia de saída (exit strategy) não deve ser vista como sinal de fracasso, mas como a etapa final de uma gestão bem- -sucedida — o momento de colher o valor que foi cultivado durante anos de trabalho. Todo empresário, em algum momento, precisará responder a uma pergunta fundamental: como e quando vou sair do meu negócio? A decisão pode estar ligada à aposentadoria, à busca por novos projetos ou simplesmente à realização financeira após anos de investimento. Independentemente do motivo, ter um plano estruturado maximiza o retorno financeiro e garante uma transição mais segura. Ignorar esse planejamento, segundo especialistas, é como construir um prédio sem projetar a porta de saída.
PLANEJAMENTO ANTECIPADO FAZ A DIFERENÇA
O processo ideal deve começar entre três e cinco anos antes da saída pretendida. Esse período permite organizar a empresa financeiramente, ajustar processos internos, regularizar documentação e aumentar a atratividade do negócio para investidores, compradores ou sucessores. Entre os passos mais importantes estão a realização de uma avaliação profissional da empresa (valuation), a organização das informações financeiras e legais e a preparação de futuros líderes, sejam membros da família, executivos internos ou novos investidores.
AS PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS DE SAÍDA
Existem diferentes caminhos para encerrar ou transferir a gestão de uma empresa, e cada modelo apresenta vantagens e desafios específicos. Uma das alternativas mais comuns é a fusão ou aquisição (M&A), quando a empresa é vendida para outra organização, muitas vezes um concorrente ou fundo de investimento. Esse modelo pode gerar alto valor de mercado e pagamento rápido, embora normalmente implique perda de controle e mudanças na identidade da marca.
Outra opção é o IPO (Oferta Pública Inicial), processo no qual a empresa abre capital na bolsa de valores. Indicado para negócios de rápido crescimento e estrutura consolidada, o modelo oferece acesso a grandes volumes de capital, mas exige alto nível de governança e enfrenta forte regulação.
Já o Management Buyout (MBO) ocorre quando a própria equipe de gestão assume o controle do negócio. A vantagem é uma transição mais suave e preservação da cultura empresarial, embora o financiamento da compra possa ser um desafio para os gestores. Nos negócios familiares, a sucessão familiar ainda é uma escolha frequente.
Ela permite continuidade do legado e dos valores construídos pelo fundador, mas exige preparo técnico da nova geração e planejamento para evitar conflitos internos. Por fim, existe a liquidação, quando as operações são encerradas e os ativos vendidos. Apesar de ser o processo mais simples para finalizar atividades, normalmente resulta no menor retorno financeiro.
O LEGADO ALÉM DO NEGÓCIO
Independentemente da estratégia escolhida, especialistas reforçam que o planejamento é o fator determinante para o sucesso da transição. Uma saída bem estruturada transforma o encerramento de um ciclo em uma conquista, garantindo estabilidade para funcionários, segurança financeira para o empreendedor e continuidade do impacto da empresa no mercado.
Mais do que encerrar atividades, planejar a saída significa proteger aquilo que levou anos para ser construído — transformando um negócio que poderia simplesmente terminar em um legado capaz de perdurar por gerações.


