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O presidente Donald Trump admitiu em conversas reservadas com assessores próximos, incluindo a primeira-dama Melania Trump, que algumas das políticas de deportação em massa adotadas por sua administração “foram longe demais”. A informação é do jornal The Wall Street Journal, que cita fontes internas da Casa Branca.
De acordo com o relato, Trump manifestou preocupação com o impacto político e social dessas medidas, especialmente em um momento em que a imigração perde força como tema prioritário entre os eleitores. Ele instruiu a equipe a mudar o foco das operações: em vez de ações amplas e de alto impacto visual, priorizar a prisão de imigrantes com antecedentes criminais, reduzindo o “caos” em grandes cidades americanas.
A mudança de rumo é impulsionada principalmente pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, que considera a política migratória atual um obstáculo para as eleições de meio de mandato. Wiles teria dito que não compreende como erros graves foram cometidos, citando casos polêmicos como a detenção de mães imigrantes em consultas rotineiras com autoridades.
Os números mostram um ajuste prático: as prisões diárias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) caíram de mais de 1.500 para cerca de 1.200. Grandes operações em cidades como Chicago, Washington e Minneapolis foram temporariamente suspensas. Além disso, dados do ICE indicam que mais de 70% dos detidos em meados de 2025 não possuíam antecedentes criminais, o que alimentou críticas internas e externas.
A saída da ex-secretária de Segurança Interna, Kristi Noem — que representava a linha mais dura —, abriu espaço para um tom mais moderado. O indicado para substituí-la, o senador Markwayne Mullin, comprometeu-se durante audiência de confirmação a adotar uma abordagem mais cooperativa com autoridades locais e a reverter diretrizes radicais, como entradas forçadas em residências sem mandado judicial assinado por juiz. Mullin afirmou que seu objetivo é “não estar nas manchetes todos os dias”.
Pesquisas recentes reforçam a preocupação da administração: uma sondagem do Washington Post e ABC News, de fevereiro de 2026, indicou que 58% dos entrevistados acreditam que Trump “está indo longe demais” com as deportações, ante 48% em abril anterior.
Trump já havia reconhecido, em meses anteriores, que a política migratória afeta setores econômicos essenciais, como agricultura e hotelaria, dependentes de mão de obra imigrante.
A Casa Branca rebateu as informações por meio da porta-voz Abigail Jackson: “Ninguém está mudando a agenda de imigração da administração. A prioridade máxima do presidente Trump sempre foi deportar criminosos ilegais que ameaçam comunidades americanas”.
Embora não represente um recuo completo — as deportações prosseguem, com ênfase em criminosos —, o ajuste na retórica e nas operações marca uma recalibragem significativa na política mais emblemática do segundo mandato de Trump, com claras implicações para o cenário político nos próximos meses.


