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WASHINGTON – O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (1º) que os “objetivos estratégicos fundamentais” da ofensiva militar americana e israelense contra o Irã estão “quase concluídos” e que as Forças Armadas dos Estados Unidos vão “terminar o trabalho, e vamos terminar logo”. Em seu primeiro pronunciamento em horário nobre sobre a guerra, que completa um mês, Trump defendeu a necessidade da operação, celebrou o que classificou como “vitórias decisivas e esmagadoras” e prometeu que o conflito entrará em sua fase final nas próximas semanas, com novos ataques “extremamente duros” contra o regime de Teerã.
O discurso, transmitido da Casa Branca, durou cerca de 19 minutos e ocorreu em um momento de crescente inquietação nos Estados Unidos com o aumento dos preços da gasolina e a impopularidade da guerra. Trump abriu a fala congratulando a Nasa pelo lançamento da Artemis II, mas logo centrou-se no tema central: a Operação Epic Fury, lançada há exatamente um mês contra o que chamou de “o maior patrocinador estatal de terrorismo do mundo”.
“Esta noite, a marinha do Irã não existe mais. Sua força aérea está em ruínas. Seus líderes, a maioria deles, estão mortos. Seu comando e controle da Guarda Revolucionária Islâmica está sendo dizimado”, disse Trump, segundo transcrição oficial. Ele destacou a destruição de fábricas de armas, lançadores de foguetes e estoques de mísseis e drones, afirmando que “nunca na história da guerra um inimigo sofreu perdas tão claras e devastadoras em tão pouco tempo”.
O presidente reiterou os objetivos declarados da ofensiva: desmantelar a capacidade iraniana de ameaçar os Estados Unidos ou projetar poder além de suas fronteiras, impedir a construção de uma arma nuclear e enfraquecer o apoio do regime a grupos terroristas. “Nossos objetivos são muito simples e claros”, repetiu. Trump lembrou que, desde sua primeira campanha presidencial, em 2015, prometeu nunca permitir que o Irã obtivesse armamento nuclear e citou ações passadas, como a eliminação do general Qasem Soleimani e a retirada do acordo nuclear de 2015 negociado por Barack Obama.
Embora tenha negado que a mudança de regime fosse objetivo inicial, Trump observou que a morte de vários líderes iranianos já alterou a dinâmica do país. Sobre a nova liderança em Teerã, menos radical segundo ele, o presidente mencionou um suposto pedido recente de cessar-fogo – negado pelo governo iraniano, que classificou a afirmação como “falsa e sem fundamento”.
Trump projetou o encerramento da fase principal do conflito em “duas ou três semanas”, mas deixou claro que os bombardeios não cessarão imediatamente. “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”, disse, repetindo ameaças anteriores de atacar infraestruturas energéticas, incluindo usinas de eletricidade.
O presidente também abordou o fechamento do Estreito de Ormuz, via crucial para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico, bloqueada pelo Irã desde o início da guerra. Trump enfatizou que os EUA, agora autossuficientes em energia graças à produção doméstica e à parceria com a Venezuela, não dependem mais do petróleo da região. “Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, sugeriu, instando aliados europeus e outros a assumirem a segurança da rota ou comprarem petróleo americano. Ele criticou a Otan e líderes europeus pela falta de apoio militar.
O discurso ocorre em meio a uma guerra que já custou a vida de pelo menos 13 militares americanos e gerou forte oposição interna. Pesquisa recente da Reuters/Ipsos indicou que 60% dos americanos desaprovam a condução do conflito, com 66% pedindo encerramento rápido, mesmo sem todas as metas atingidas. Trump, cuja aprovação vem caindo, procurou tranquilizar a população sobre o impacto econômico, atribuindo a alta temporária dos preços da gasolina a “ataques terroristas irracionais” do Irã contra navios-tanque de países vizinhos.
O pronunciamento reforça a narrativa de Trump de que a operação é limitada, decisiva e vitoriosa, em contraste com as críticas de que a guerra se arrasta e pode escalar. Analistas observam que, apesar do tom otimista, a ausência de data precisa para o fim das operações e a manutenção das ameaças indicam que o conflito ainda pode reservar surpresas.
Do ponto de vista brasileiro, o desdobramento mais imediato é o reflexo nos preços internacionais do petróleo, que já pressionam a inflação e o custo dos combustíveis no país. O governo Lula acompanha de perto os desdobramentos, especialmente o risco de interrupção prolongada no Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de óleo do Oriente Médio.
Trump encerrou o discurso reafirmando o compromisso com os aliados israelenses e árabes e com a segurança americana. “Vamos terminar o trabalho e vamos terminá-lo muito rápido. Estamos muito perto”, repetiu. O mundo agora aguarda os próximos movimentos no terreno – e se a promessa de vitória rápida se confirmará ou se a guerra contra o Irã entrará em um capítulo ainda mais imprevisível.


