
Em uma declaração contundente na terça-feira, o presidente Donald Trump reafirmou que não haverá anistia para trabalhadores agrícolas imigrantes ilegais, enquanto a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, sugeriu substituir os trabalhadores deportados por beneficiários “aptos” do programa Medicaid. A proposta surge em meio a esforços intensificados do governo para deportar imigrantes em situação irregular.
“Não há anistia”, declarou Trump ao abordar seu plano de apoio à indústria agrícola durante uma reunião do gabinete na Casa Branca. “O que estamos fazendo é nos livrar de criminosos, mas estamos implementando um programa de trabalho”, enfatizou o presidente, destacando que a prioridade é suprir as necessidades dos agricultores sem conceder anistia. “Precisamos dar aos agricultores as pessoas de que eles precisam, mas não estamos falando de anistia.”
A secretária Rollins detalhou que o programa de trabalho visa garantir que os agricultores tenham a mão de obra necessária, promovendo a automação e a utilização de uma força de trabalho americana. “Sem anistia, a deportação em massa continua, mas de forma estratégica”, acrescentou. Mais cedo, Rollins sugeriu que novos requisitos de trabalho para o Medicaid, incluídos na recém-aprovada Lei do Um Grande e Belo Projeto, poderiam ajudar os agricultores a substituir trabalhadores imigrantes. “Há muito barulho nos últimos dias e perguntas sobre a posição do presidente e sua visão para o trabalho agrícola”, disse Rollins em uma coletiva de imprensa. “No fim das contas, a solução é a automação, algumas reformas na estrutura atual de governança e, quando pensamos nisso, temos 34 milhões de adultos aptos no nosso programa Medicaid, que oferece seguro de saúde a 70 milhões de americanos de baixa renda. Esses beneficiários, adultos sem filhos, de 18 a 64 anos, devem trabalhar 80 horas por mês ou participar de atividades como serviço comunitário ou estudos para manter o benefício, podendo ser direcionados ao trabalho agrícola.”
A controversa medida incluída na agenda de Trump exige que adultos sem filhos, entre 18 e 64 anos, trabalhem pelo menos 80 horas por mês para serem elegíveis ao Medicaid. Alternativamente, os beneficiários podem cumprir o requisito por meio de serviço comunitário, estudos ou participação em programas de trabalho. Na semana passada, durante um comício em Iowa, estado onde a agricultura é um setor econômico crucial, Trump sugeriu um plano que permitiria aos agricultores “patrocinarem” [atestem por ] esses trabalhadores imigrantes que enfrentam deportação, possibilitando que permaneçam nos EUA.
“Eles têm pessoas trabalhando para eles há anos. Vamos fazer algo… vamos colocar os agricultores no comando”, disse Trump à multidão. “Se um agricultor conhece bem um desses trabalhadores que se esforçam tanto – eles passam o dia trabalhando duro, não temos muitas pessoas que estejam dispostas a fazer isso, mas eles trabalham muito duro – e alguns agricultores literalmente, se um agricultor estiver disposto a ‘patrocinar” por essas pessoas, então, de alguma forma… acho que teremos que concordar que isso é bom, certo?”
Trump reforçou que a segurança na fronteira não deve comprometer a agricultura. “Não queremos fazer [a segurança na fronteira] tirando todos os trabalhadores das fazendas. Queremos que as fazendas prosperem”, concluiu. A proposta de substituir trabalhadores imigrantes por beneficiários do Medicaid e o plano de permitir que agricultores “patrocinem” [atestem por ] seus funcionários faz parte das muitas tentativas do governo em busca equilibrar políticas de imigração com as necessidades do setor agrícola.