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Belo Horizonte, 2 de janeiro de 2026 – Na véspera do Ano Novo, o Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais, recebeu o último avião fretado transportando brasileiros expulsos dos Estados Unidos em 2025. A aeronave trouxe 124 indivíduos, marcando o fim de um período intenso de repatriamentos que reflete as mudanças rigorosas na política imigratória americana. Esse fluxo constante de retornos forçados destacou as tensões entre os dois países, com o Brasil se esforçando para reintegrar esses cidadãos em meio a desafios econômicos internos.
De acordo com registros oficiais, o ano registrou 3.294 deportações de brasileiros, um salto significativo em comparação com as 1.648 do ano anterior, representando um aumento de quase 100%. Essa escalada estabeleceu um novo recorde desde o reinício dos voos fretados em 2019, totalizando 37 operações aéreas em 2025 – a maioria sob a administração de Donald Trump, que priorizou ações enérgicas contra imigração irregular após assumir o cargo em janeiro. Até setembro, já haviam sido contabilizados 2.159 casos em 23 voos, indicando uma aceleração nos últimos meses do ano. A maioria dos repatriados provém de regiões como Minas Gerais e o Vale do Rio Doce, áreas com forte tradição de emigração em busca de oportunidades econômicas.
O endurecimento das regras nos EUA, incluindo verificações mais estritas em vistos e entradas irregulares, contribuiu para esse pico. Muitos dos deportados relataram terem sido pegos por violações menores, como permanência além do prazo permitido ou infrações trabalhistas. No Brasil, o governo federal ativou o programa “Aqui é Brasil” para oferecer suporte inicial aos retornados, incluindo refeições, itens de higiene pessoal, assistência médica e psicológica, além de ajuda para transporte até suas cidades de origem. No grupo do último voo, composto por 108 homens e 15 mulheres sem acompanhantes, observou-se uma mistura de alívio e frustração, com relatos de sonhos interrompidos por políticas mais restritivas.
Inicialmente, os voos fretados pousavam em Confins como destino padrão, por sua capacidade logística e conexões regionais. No entanto, em fevereiro de 2025, uma mudança temporária ocorreu: alguns voos foram direcionados para Fortaleza (CE), o aeroporto brasileiro mais próximo dos EUA, com o objetivo de encurtar o trajeto aéreo. Essa alteração foi motivada por preocupações humanitárias relacionadas ao uso de algemas pelos agentes do ICE durante o voo, uma prática padrão americana para segurança.
Relatos indicam que o governo brasileiro buscou reduzir o tempo em que os deportados passavam algemados sobre o espaço aéreo nacional, já que as restrições são retiradas imediatamente ao pousar em solo brasileiro, conforme protocolos diplomáticos.
Essa medida foi prática: voos mais curtos minimizavam o desconforto, e Fortaleza permitia desembarque rápido, com transferências subsequentes via Força Aérea Brasileira para outros estados. No entanto, após essa fase experimental – que incluiu voos em fevereiro com algemas confirmadas durante o trajeto, mas removidas ao chegar –, o padrão voltou para Confins nos meses seguintes, incluindo o último voo de dezembro. Especialistas apontam que a decisão equilibrou eficiência logística com considerações humanitárias, sem alterar o uso de algemas no voo em si, que persiste como norma do ICE.
Olhando para 2026, há expectativas de que o diálogo bilateral entre Brasil e EUA possa amenizar o fluxo, especialmente com negociações em andamento sobre cooperação migratória. Enquanto isso, histórias de resiliência emergem, com alguns repatriados buscando novas chances em solo nacional, transformando a deportação em um ponto de virada para reconstrução pessoal. Esse cenário reforça a necessidade de políticas equilibradas que respeitem direitos humanos em ambos os lados do Atlântico.


