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Minneapolis, 20 de janeiro de 2026
Hoje marca o primeiro aniversário da posse de Donald Trump em seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, um período caracterizado por ações executivas rápidas, mudanças radicais em políticas domésticas e externas, e uma polarização contínua na opinião pública. Com mais de 220 ordens executivas emitidas no ano – um recorde histórico –, o governo Trump buscou reverter legados do antecessor Joe Biden, priorizando temas como imigração, economia e “América Primeiro”. No entanto, analistas destacam impactos mistos: avanços em certos indicadores econômicos contrastam com críticas a instabilidades internacionais e custos sociais.
Economia: Crescimento Robusto, mas Inflação Persistente

O primeiro ano de Trump viu a economia dos EUA registrar um crescimento do PIB anualizado entre 4% e 5% em trimestres recentes, superando expectativas e impulsionado por desregulamentações, cortes de impostos permanentes e tarifas comerciais. A lei “One Big Beautiful Bill” (H.R. 1), aprovada em julho de 2025, estendeu os cortes fiscais de 2017, isentou gorjetas e horas extras de impostos e reduziu gastos federais em US$ 1,4 trilhão, principalmente em programas sociais como Medicaid e empréstimos estudantis. O governo também aumentou investimentos em defesa e segurança de fronteiras em US$ 325 bilhões, enquanto o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk e Vivek Ramaswamy, cortou bilhões em burocracia.
No entanto, as tarifas “Liberation Day” – impostas a parceiros comerciais globais – geraram receitas bilionárias, mas também volatilidade no mercado, quedas iniciais em ações e inflação em bens importados, contribuindo para uma “crise de acessibilidade” citada por americanos. A inflação, herdada em parte da era Biden, estabilizou em torno de 2,7%, mas não caiu o suficiente para aliviar o custo de vida, levando a uma aprovação baixa para Trump na economia (cerca de 36-41%). Críticos, como economistas do Atlantic Council, argumentam que as tarifas criaram incertezas para negócios, enquanto apoiadores destacam o “onshoring” de manufatura e redução do déficit comercial. Pesquisas indicam uma aprovação geral de 42% para Trump, com 55% de desaprovação, refletindo divisões sobre o impacto econômico.
Cenário Internacional: “Paz através da Força” com Intervenções e Tensões

A doutrina “América Primeiro” de Trump resultou em uma política externa marcada por intervenções unilaterais, saídas de acordos internacionais e negociações bilaterais, visando contrabalançar influências como a da China. Destaques incluem a captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026, seguida de controle sobre o petróleo venezuelano, e ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas, que o governo descreve como medidas preventivas para segurança. No Oriente Médio, Trump mediou um cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025, e na Ucrânia, pressões econômicas ajudaram em avanços negociais, embora sem resolução completa.
Por outro lado, as ações geraram críticas por instabilidade: saídas da ONU, OMS e Acordo de Paris; ameaças a aliados como Canadá e Austrália; e tarifas que tensionaram relações com Europa e Ásia. Analistas do Cato Institute alertam para “excessos imperiais” que alienaram potências emergentes como Índia, enquanto o New York Times nota que intervenções na América Latina, como em Panamá e Groenlândia, ecoam tradições históricas de domínio hemisférico. O equilíbrio entre “paz” (cessar-fogos) e “força” (ataques militares) divide opiniões: o governo celebra “domínio americano”, mas relatórios indicam aumento de instabilidade global e custos para alianças como a OTAN.
Relações com o Brasil: Tarifas, Negociações e Influência Política

As relações EUA-Brasil sob Trump foram voláteis, influenciadas por questões comerciais e políticas internas. Em julho de 2025, Trump impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras em retaliação à “perseguição” judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. Isso afetou produtos como café e cacau, gerando tensões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, após encontros na ONU e ASEAN – incluindo um “abraço surpresa” –, Trump suspendeu tarifas sobre itens essenciais em novembro de 2025, em troca de concessões em comércio e segurança.
O Brasil, maior economia da América Latina, viu um declínio de 25% nas exportações para os EUA inicialmente, mas a resolução parcial evitou escalada maior. Críticos veem as ações como interferência em assuntos internos brasileiros, enquanto o governo Trump enfatiza a luta contra “influências externas” como a China no hemisfério. Relatórios da WOLA destacam que o Brasil sofreu o maior impacto tarifário na região, mas as negociações restauraram cordialidade em janeiro de 2026. O comércio bilateral permanece robusto, com foco em energia e agricultura, mas analistas preveem volatilidade com a revisão do USMCA em 2026.
Imigração: Enforcement Intensivo e Migração Líquida Negativa

A imigração foi o pilar central da agenda de Trump, com ações que reduziram entradas ilegais em 87% no ano fiscal de 2025 e resultaram em migração líquida negativa pela primeira vez em 50 anos. O governo expandiu o ICE em 400%, registrando 600.000 deportações – um recorde – e terminou programas como TPS para venezuelanos, haitianos e outros, além de parole humanitário e reunificação familiar para vários países latinos. Operações como a Metro Surge em Minnesota prenderam milhares, priorizando “criminosos”, mas geraram controvérsias com relatos de erros e uso excessivo de força.
Enquanto o DHS celebra a “fronteira segura”, grupos como a ACLU e Migration Policy Institute criticam o impacto em comunidades imigrantes, com ações judiciais contestando violações de direitos. A suspensão de vistos para 75 países, incluindo oito latinos (Brasil), reflete uma abordagem mais restritiva, com efeitos econômicos como escassez de mão de obra em setores como agricultura. Dados indicam declínio na população imigrante indocumentada, mas custos humanitários e legais persistem.
Com as eleições de meio de mandato em novembro de 2026 no horizonte, o legado de Trump em seu primeiro ano permanece em debate: vitórias em eficiência governamental e segurança contrastam com divisões internas e internacionais. Fontes independentes sugerem que 2026 testará a sustentabilidade dessas mudanças, à medida que desafios judiciais e econômicos se intensificam.


