JCEDITORES – Nessa terça-feira, 24, Nova York realizou primárias democratas para prefeito, consolidando Zohran Kwame Mamdani, um político de 33 anos nascido em Kampala, Uganda, como o candidato do Partido Democrata. Utilizando uma votação por escola ranqueada, Mamdani venceu com 43,5% dos votos iniciais, superando Andrew Cuomo (36,3%) outros candidatos, Brad Lander obteve 11,4% e Adrienne Adams 4,1%.
A primária registrado alta participação, com mais de 380 mil eleitores na votação antecipada (14 a 22 de junho), apesar de temperaturas de 38°C.
Eric Adams, atual prefeito, decidiu concorrer como independente nas linhas “EndAntiSemitism” e “Safe&Affordable” abrindo espaço para a ascensão de Mamdani que enfrentará na eleição geral de 4 de novembro, o republicano Curtis Sliwa Adams e, possivelmente, um candidato do Partido das Famílias Trabalhadoras.
Mamdani, naturalizado americano em 2018, é muçulmano xiita. Filho de Mahmood Mamdani, acadêmico ugandense xiita de origem indiana, e Mira Nair, cineasta indu-americana, ele se identifica como ugandense, indiano e nova-iorquino. Sua campanha é secular, focada em políticas progressistas como transporte público gratuito, creches públicas, mercearias comunitárias e congelamentos de aluguéis.
Membro do Partido Democrata e da Socialistas Democráticos da América (DSA), Mamdani representa a nova esquerda americana, recebendo apoio de Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez e de 46.000 voluntários da DSA, que arrecadaram fundos via pequenos doadores. Sua plataforma socialista atraiu as alas mais radicais dos democratas.
Mamdani enfrenta acusações de antissemitismo devido a críticas a Israel, incluindo sua defesa do slogan “Globalizar a Intifada” em uma entrevista em 2025, ele comparou à revolta Palestina do Gueto de Varsóvia. A Liga Anti-Difamação (ADL) e o Museu do Holocausto criticaram-no, chamando a frase de incitação à violência e sua comparação de ultrajante.
Mamdani nega ser antissemita e reconhece o direito de Israel existir como um ‘estado igualitário’. Sua posição contraria as resoluções da Assembleia de Nova York celebrando o aniversário de Israel ou o Dia de Memória do Holocausto (2021-2025) intensificou a desconfiança de que ele poderia ter inclinações antissemita. Ele também foi acusado de ser “pró-Hamas” ao não condensar o grupo pelo o ataque de 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas, mas não há evidências de que Mamdani tenha dado apoio direto as ações do Hamas focando suas crítica à ocupação israelense e apoio aos movimentos Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS) contra o estado Judaico.
Não há índios de que Mamdani apoie o regime iraniano ou suas praticas. Ele disse rejeitar a imposição de véus às mulheres ou uma aplicação da lei islâmica xiita, a Sharia, mantendo uma agenda secular. Suas posições progressistas, incluindo apoio aos direitos LGBTQ+ e legalização da maconha, geraram resistência em alguns conservadores, mas ele atrai muçulmanos da classe trabalhadora com políticas como controle de aluguéis.
Mamdani enfrentou ameças islamofóbicas, investigadas pela NYPD, destacando os desafios de sua identidade em uma campanha polarizada. Sua vitória na primária reflete o apelo de sua agenda socialista mais radical, popular entre jovens, hispânicos da america central. A eleição será marcada por debates sobre suas posições internacionais, identidade multicultural e os valores que ele representa em uma cidade diversificada, a decisão tomada pelo eleitores de NY poder balizar as transformações sociais dos Estados Unidos.