Por: Eliana Pereira Ignacio – Olá, meus caros leitores, hoje quero convidar vocês a refletirem sobre algo que, muitas vezes, nos causa desconforto, mas que também pode ser um dos maiores presentes que damos a nós mesmos: abrir espaço para o novo. Esse movimento geralmente vem acompanhado de silêncio, de pausas e, sobretudo, de coragem para deixar ir o que já não cabe em nossa jornada.
Na psicologia, esse momento é chamado de transição liminar, que significa atravessar um espaço intermediário — quando algo já terminou, mas o novo ainda não chegou. É um tempo de incerteza, mas também de gestação interior. Carl Gustav Jung lembrava que “a verdadeira mudança nasce da aceitação do que foi perdido e da coragem de esperar pelo que ainda não nasceu”. Assim, o silêncio não é vazio, mas um útero simbólico, onde a transformação pode florescer.
O VALOR PSICOLÓGICO DO SILÊNCIO
O silêncio, quando acolhido, é profundamente terapêutico. Ele nos ajuda a organizar pensamentos, reduzir a ansiedade e fortalecer nossa capacidade de resiliência. A psicologia contemporânea, por meio de práticas como o mindfulness, tem mostrado como momentos de quietude favorecem a regulação emocional.
Quando silenciamos, conseguimos ouvir com mais clareza as nossas reais necessidades e valores. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, ensinava que “entre o estímulo e a resposta existe um espaço.
Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. E nessa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade”. Esse espaço, simbolicamente, é o silêncio — lugar em que a vida nos dá a oportunidade de escolher caminhos mais saudáveis e coerentes com quem somos. É preciso abrir mão para receber. Abrir espaço para o novo também exige soltar o que nos prende.
Muitas vezes, carregamos culpas, expectativas alheias, relacionamentos adoecidos ou padrões de comportamento que nos limitam. O medo da perda nos paralisa, mas é justamente ao deixar ir que abrimos a possibilidade de receber o que realmente nos nutre. Na perspectiva da psicologia sistêmica, esse movimento é essencial: ao sustentar vínculos ou situações que drenam nossa energia, bloqueamos a entrada de novas experiências transformadoras.
Portanto, o ato de abrir mão é, acima de tudo, um gesto de autoamor e integridade emocional.
O SILÊNCIO COMO ENCONTRO COM DEUS
Do ponto de vista cristão, o silêncio não é apenas ausência de ruídos, mas um lugar de encontro profundo com Deus. A Bíblia relata que o profeta Elias ouviu a voz do Senhor não no vento impetuoso, nem no terremoto ou no fogo, mas em um sussurro suave (1 Reis 19:12). Esse episódio nos ensina que o silêncio é, muitas vezes, o ambiente onde percebemos a presença divina que nos guia, consola e fortalece.
Quando escolhemos silenciar e abrir espaço em nossas vidas, não estamos apenas nos desapegando do velho, mas também demonstrando fé. É confiar que Deus preencherá os vazios que entregamos, transformando dor em esperança, e medo em coragem.
CRIANDO UM ESPAÇO INTERNO SAUDÁVEL
Cuidar do silêncio interior é também cuidar do espaço emocional de onde brotam nossas atitudes. Um coração sobrecarregado dificilmente oferece paz; já um coração que encontra refúgio no silêncio pode transbordar serenidade e equilíbrio nas relações.
Na prática, podemos exercitar isso com pequenos gestos: reservar momentos do dia para respiração consciente, desligar aparelhos eletrônicos por alguns minutos, escrever um diário emocional ou fazer uma oração silenciosa. Essas práticas ajudam a reorganizar nossa vida interior, fortalecendo nossa saúde mental e espiritual. Em suma, abrir espaço para o novo é um processo que exige coragem, paciência e fé.
O silêncio que muitas vezes parece vazio, na verdade, é o terreno fértil onde germinam novas possibilidades. É nesse espaço que nos reencontramos, nos reequilibramos e nos preparamos para acolher a vida em sua plenitude. “Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz. Será que vocês não percebem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo.” (Isaías 43:19)
Até a próxima semana!!!
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


