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Fernandópolis (SP) – Uma mulher de 41 anos, moradora de Fernandópolis, no interior paulista, perdeu US$ 17 mil (cerca de R$ 95 mil) em um esquema de fraude imigratória que resultou na prisão de quatro brasileiros na Flórida. Ela e o marido venderam a casa própria, único patrimônio da família, para financiar o sonho de viver nos Estados Unidos.
O casal buscava a regularização migratória havia cinco anos. Entre março e abril de 2025, fecharam contrato com a agência Legacy Immigra, sediada em Orlando. Pagaram o valor total de forma parcelada. Quando alertas de possível golpe começaram a circular, a mulher questionou a empresa. A resposta da vendedora foi direta: o CEO havia orientado a equipe a manter os atendimentos normalmente, tranquilizando os clientes.
Meses depois, nenhum documento foi protocolado e nenhum processo avançou. O dinheiro obtido com a venda da residência desapareceu. Além do prejuízo financeiro, a vítima relata enfrentar graves problemas psicológicos em decorrência do episódio.
A Legacy Immigra foi alvo de operação policial deflagrada pelo xerife do Condado de Orange, na Flórida. Em 22 de abril de 2026, quatro brasileiros foram presos e apontados como líderes do esquema.

As autoridades identificaram como principais operadores da agência:
- Vagner Soares de Almeida, considerado o fundador do grupo;
- Juliana Colucci, esposa de Vagner e atuante na operação;
- Ronaldo de Campos;
- Lucas Trindade Silva (também referido como Lucas Felipe Trindade Silva).
Eles respondem por crime organizado (racketeering/RICO), fraude, extorsão e exercício ilegal da advocacia. Segundo a investigação, o grupo atuou por aproximadamente três anos e teria movimentado mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 110 milhões), explorando principalmente imigrantes brasileiros. A agência prometia soluções rápidas de regularização, work permits e pedidos de asilo, cobrando valores que variavam entre US$ 2.500 e US$ 26 mil por cliente.
Até o momento, ao menos sete vítimas formalizaram queixas às autoridades americanas, mas a polícia estima que o número real de prejudicados seja muito superior.


