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Minneapolis, 12 de janeiro de 2026 – O bilionário investidor Bill Ackman, fundador e CEO da Pershing Square Capital Management, confirmou uma doação de US$ 10.000 (cerca de R$ 58 mil na cotação atual) para uma campanha no GoFundMe criada em apoio ao agente da Immigration and Customs Enforcement (ICE) Jonathan Ross. Ross é o oficial federal que atirou mortalmente em Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, mãe de três filhos, durante uma operação de imigração em Minneapolis no dia 7 de janeiro.
O incidente ocorreu em uma rua residencial do sul da cidade, quando Good, que participava de uma rede de observadores conhecida como “ICE Watch” para monitorar ações da agência, estava dentro de seu SUV. De acordo com autoridades federais, incluindo o Departamento de Segurança Interna (DHS), o vice-presidente JD Vance e o próprio presidente Donald Trump, Good tentou interferir na operação e “usar o veículo como arma” contra os agentes, o que teria levado Ross a disparar em legítima defesa. Um vídeo de 47 segundos, filmado pelo próprio celular do agente e divulgado posteriormente, mostra os momentos finais do confronto, com Good conversando brevemente com os oficiais antes de começar a se movimentar com o veículo.
No entanto, autoridades locais, incluindo o governador de Minnesota Tim Walz e o prefeito de Minneapolis Jacob Frey, contestaram veementemente essa versão. Frey classificou a narrativa federal como “bullshit” (mentira) e exigiu que a ICE saísse da cidade, afirmando que o vídeo não mostra ameaça iminente por parte de Good. Walz chegou a declarar o dia 9 de janeiro como “Dia de Renee Good” e criticou o que chamou de “máquina de propaganda” do governo federal.
O tiroteio gerou protestos massivos em Minneapolis — com milhares nas ruas — e manifestações em outras cidades americanas contra as operações de deportação em massa do governo Trump. Good, uma escritora, poeta premiada e cidadã dos EUA, era descrita por sua esposa Rebecca como alguém que estava “apoiando os vizinhos” no momento do ocorrido. Sua família arrecadou mais de US$ 1,5 milhão em uma campanha no GoFundMe, que foi pausada após atingir esse valor.
A campanha em apoio a Jonathan Ross, organizada por terceiros (incluindo um doador que alega contato com o pai do agente), critica a arrecadação para a família de Good como “media bs sobre uma terrorista doméstica” e afirma que o oficial agiu de forma “1000% justificada”. A página destaca que os fundos seriam usados para custear possíveis despesas legais. Até o momento, a campanha já ultrapassou US$ 300 mil, com Ackman listado como o maior doador individual.
Em postagem no X (antigo Twitter), Ackman confirmou a contribuição e explicou sua motivação:
> “Sou um grande defensor do princípio legal de que alguém é inocente até que se prove o contrário. Por isso, apoiei o @gofundme para Jonathan Ross e pretendia fazer o mesmo com o da família de Renee Good (a campanha dela já havia sido fechada quando tentei contribuir). Toda a situação é uma tragédia. Um oficial fazendo o melhor para cumprir seu trabalho, e uma manifestante que provavelmente não pretendia matar o oficial, mas cujas ações em um segundo levaram à sua morte. Nosso país é mais forte se trabalharmos juntos para resolver as complexas questões que nos dividem.”
A doação de Ackman — que representa uma fração mínima de seu patrimônio estimado em US$ 9,3 bilhões — gerou controvérsia, especialmente após ele ter apoiado publicamente Donald Trump durante a campanha de 2024. Críticos questionam a campanha do agente, alegando violação de termos do GoFundMe, enquanto apoiadores veem nela um contraponto necessário à polarização.
O caso continua sob investigação federal, com o FBI envolvido, mas autoridades de Minnesota afirmam ter sido excluídas do processo, o que aumenta as tensões entre o governo local e o federal. O episódio expõe as profundas divisões no país em torno da política de imigração, uso da força por agentes federais e o direito à manifestação.


