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LOS ANGELES — Um imigrante indocumentado que foi baleado por agentes da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante uma parada de trânsito e depois preso pelo FBI recebeu, nesta semana, indiciamento formal de um grande júri federal na Califórnia. Carlos Ivan Mendoza Hernandez responde por dois crimes de agressão a oficial federal com arma mortal e um de destruição de propriedade do governo.
O caso, ocorrido em 7 de abril, expõe narrativas conflitantes sobre o uso da força por agentes federais e as circunstâncias que levaram à perseguição. De acordo com a queixa criminal do Departamento de Justiça (DOJ), agentes monitoravam a residência de Mendoza Hernandez e o abordaram como parte de uma operação para deter um “estrangeiro ilegal sem status nos EUA”.
Durante a parada, o homem identificou-se, mas recusou-se a sair do veículo apesar de ordens repetidas. Após os agentes quebrarem a janela do passageiro dianteiro para retirá-lo, Mendoza Hernandez, segundo a versão oficial, avançou o carro contra um agente, engatou a marcha a ré e colidiu com violência contra uma viatura federal estacionada atrás, causando danos significativos. Em seguida, acelerou na direção de dois agentes — um deles precisou saltar para evitar ser atropelado —, transpôs o canteiro central, seguiu na contramão e colidiu com outro veículo antes de bater em uma guard-rail, parando cerca de 500 metros adiante.
Dois agentes dispararam contra o veículo. Mendoza Hernandez foi atingido por aproximadamente seis projéteis, inclusive no rosto, e submetido a três cirurgias. Ele recebeu atendimento médico no local e foi hospitalizado. Em 13 de abril, após alta, foi transferido para a custódia do FBI. Um juiz federal determinou sua prisão preventiva em 20 de abril, considerando-o risco de fuga. A audiência de arraignment está marcada para esta segunda-feira (4), às 9h30, perante o juiz Dale A. Drozd.
🚨 BREAKING: An ICE agent was involved in a shooting in California while pursuing a Salvadoran gang member wanted for murder in his home country. pic.twitter.com/4vG3T9Ic1E
— Breaking911 (@Breaking911) April 7, 2026
Contestações da defesa
O advogado Patrick Kolasinski rejeitou as acusações de que seu cliente integra a gangue salvadorenha 18th Street ou que seja procurado no El Salvador por envolvimento em homicídio. “De tudo o que pudemos apurar, ele não era [membro de gangue]”, declarou o defensor em entrevista coletiva realizada um dia após o tiroteio.
Kolasinski sustentou que Mendoza Hernandez só tentou fugir depois de ser alvo dos primeiros disparos. “Ele estava apenas com medo de morrer”, afirmou. O imigrante é pai de uma criança pequena, está noivo de uma cidadã americana e seguia para o trabalho no momento da abordagem, segundo a defesa.
Sobre o suposto mandado salvadorenho, o advogado informou ter recebido documentos indicando que o cliente foi absolvido de uma acusação anterior de assassinato. Um profissional contratado no El Salvador investiga o caso para confirmar a inexistência de qualquer ordem de prisão ou busca.
Dúvidas persistem
Vídeos de dashcam analisados pela imprensa americana não permitem uma reconstituição inequívoca da sequência de eventos, especialmente os instantes iniciais da abordagem e os disparos. O episódio reforça o debate sobre protocolos de uso da força em operações migratórias e a confiabilidade das informações de inteligência usadas pelas autoridades.
Mendoza Hernandez permanece detido. Seu advogado busca questionar tanto a legalidade da abordagem quanto a proporcionalidade da resposta armada dos agentes.
A defesa e o Ministério Público Federal seguem em confronto sobre os fatos. O caso continua em fase inicial na Justiça federal da Califórnia.


