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Austin, Texas, 2 de março de 2026 — O tiroteio que deixou duas pessoas mortas e 14 feridas na madrugada de domingo (1º) fora do Buford’s Backyard Beer Garden, na agitada Sixth Street, continua a gerar perguntas inquietantes. O atirador, identificado como Ndiaga Diagne, 53 anos, cidadão americano naturalizado originário do Senegal, foi morto pela polícia no local. Mas o que motivou o ataque — e se algo assim pode acontecer novamente — permanece envolto em incertezas que mantêm autoridades e a população em alerta.
Diagne circulou várias vezes pela área em um SUV antes de abrir fogo pela janela com uma pistola, atingindo pessoas na varanda e na frente do bar. Depois, desceu do veículo com um rifle e continuou atirando contra pedestres na rua. Policiais, que patrulhavam o distrito de entretenimento noturno, responderam em menos de um minuto e o abateram, evitando um número ainda maior de vítimas. Três dos feridos seguiam em estado crítico na manhã de segunda-feira.
O que mais preocupa as investigações é o que foi encontrado: Diagne usava um moletom com as palavras “Property of Allah” e, por baixo, uma camisa com estampa da bandeira iraniana. No veículo e em sua residência em Pflugerville (subúrbio de Austin), agentes do FBI e da polícia localizaram um Alcorão, uma bandeira iraniana e fotos de líderes iranianos — indícios que levaram o Bureau a envolver sua Joint Terrorism Task Force na apuração. O agente interino Alex Doran, do escritório de San Antonio, afirmou que há “indícios” de possível nexo com terrorismo, mas enfatizou: “É cedo demais para determinar a motivação exata”.
O timing do ataque — apenas um dia após os bombardeios conjuntos dos EUA e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano — alimenta especulações. Fontes próximas à investigação dizem que se analisa se Diagne reagiu a esses eventos, mas nenhuma conexão direta foi confirmada até agora. Diagne chegou aos EUA em 2000 com visto de turista, casou-se com uma cidadã americana em 2006, tornou-se residente permanente e obteve cidadania em 2013. Não há registro de monitoramento prévio por agências antiterrorismo.
A incerteza sobre o que exatamente o levou a agir — O governador Greg Abbott prometeu resposta “agressiva” a qualquer tentativa de usar o conflito no Oriente Médio para ameaçar o Texas. Em um país onde tiroteios em massa já se tornaram rotina (este é um dos dezenas registrados em 2026), a possibilidade de ataques motivados por extremismo importado ou radicalizado localmente assusta comunidades que antes viam a Sixth Street apenas como diversão.
Enquanto buscas continuam na residência do atirador e testemunhas são ouvidas, o que resta é uma sensação incômoda: em tempos de guerra no exterior, o lar pode não estar tão seguro quanto parece. As autoridades pedem que qualquer informação seja repassada ao FBI. Por enquanto, Austin — e talvez o país inteiro — vive com a sombra de que esse possa não ser um caso isolado.


