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Ribeirão Preto, 09 de março de 2026 – O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, está prestes a anunciar a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO). A medida, que visa intensificar sanções financeiras e cooperação internacional contra o crime organizado, tem gerado tensões diplomáticas com o Brasil, onde o governo Lula resiste à proposta, argumentando que as grupos são motivados por lucro e não por ideologia terrorista. No entanto, países vizinhos ao Brasil já adotaram essa classificação, reforçando fronteiras e alertas de segurança, enquanto evidências apontam para a expansão das facções nos EUA e infiltrações em instituições brasileiras.
Países Vizinhos que Já Classificam PCC e CV como Terroristas
Dois países fronteiriços ao Brasil declararam o PCC e o CV como organizações terroristas em outubro de 2025, após uma megaoperação policial no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes e destacou a violência das facções.
Paraguai: Sob o governo de Santiago Peña, um decreto presidencial de 30 de outubro de 2025 rotulou as facções como “organizações terroristas internacionais”, citando sua “expansão transnacional” e ameaça à soberania. A medida permitiu o uso das Forças Armadas na fronteira leste com o Brasil, operações como “Guaraní Shield” e maior cooperação com agências internacionais.
Argentina: O governo de Javier Milei incluiu o PCC e o CV no Registro Público de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo e ao Seu Financiamento (RePET), classificando-os como “narcoterroristas”. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, justificou a ação como resposta a uma “ameaça grave à ordem pública”, enviando o Exército à Tríplice Fronteira (com Brasil e Paraguai) e impondo sanções financeiras e bloqueio de bens.
Essas decisões servem como precedente para os EUA e aumentam a pressão sobre o Brasil, que vê o rótulo como inadequado e potencialmente prejudicial à soberania.
Atuação nos EUA: Presenças na Comunidade Brasileira e Prisões pelo DOJ
O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) tem documentado a infiltração do PCC e do CV em comunidades brasileiras nos Estados Unidos, especialmente em Massachusetts, onde imigrantes irregulares são recrutados para redes de tráfico. Em março de 2025, uma operação federal resultou na acusação de 18 brasileiros ligados ao PCC por tráfico de armas e fentanil. A maioria estava em situação irregular e operava em cidades como Boston, Framingham, Malden e Marlborough.
Os acusados traficavam pistolas, rifles e espingardas da Flórida e Carolina do Sul para Massachusetts, com apreensões de mais de 100 armas e quantidades de fentanil. O DOJ destacou conexões com o PCC, incluindo uma célula local chamada “Primeiro Comando de Massachusetts” (PCM), ativa há anos e envolvida em crimes como exploração sexual e tráfico de drogas. Essa expansão internacional reforça o argumento americano para a classificação como terroristas, facilitando sanções e operações conjuntas.
Infiltrações em Instituições Brasileiras: O Caso da Reunião no Ministério da Justiça
As facções PCC e CV são notórias por suas tentativas de infiltração em instituições públicas brasileiras, incluindo o sistema prisional, polícia e até esferas governamentais, por meio de corrupção, intimidação e lavagem de dinheiro. Um episódio emblemático ocorreu em 2023, durante a gestão de Flávio Dino como ministro da Justiça e Segurança Pública.
Luciane Barbosa Farias, conhecida como “Dama do Tráfico Amazonense” e esposa de Clemilson dos Santos Farias (o “Tio Patinhas”), um dos líderes do CV no Amazonas, participou de pelo menos duas reuniões com assessores e secretários do Ministério da Justiça em Brasília. Ela se apresentou como presidente do Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), uma ONG que advoga por direitos humanos de presos e políticas de desencarceramento.
De acordo com inquéritos da Polícia Civil do Amazonas, a ILA era usada para lavar dinheiro da “caixinha” do tráfico do CV, financiando despesas da facção. Luciane foi condenada a 10 anos por lavagem de dinheiro e associação ao tráfico, mas recorre em liberdade. O ministro Flávio Dino afirmou que as reuniões ocorreram sem seu conhecimento ou presença, e que ele nunca recebeu líderes de facções ou familiares. O Ministério da Justiça confirmou as audiências, mas alegou que Luciane não foi identificada como ligada ao CV no momento, passando por protocolos de segurança padrão.
Esse caso ilustra os riscos de infiltração, alimentando debates sobre a necessidade de maior vigilância e cooperação internacional. Enquanto o Brasil resiste à classificação terrorista, especialistas alertam que a expansão das facções pode forçar mudanças na abordagem nacional. O anúncio dos EUA é esperado nos próximos dias, podendo alterar o panorama de segurança na América Latina.


