JSNews
Boston 10 de março de 2026 – Os preços da gasolina continuam em trajetória ascendente no estado de Massachusetts, refletindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio que abalam os mercados globais de energia. O conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, que se intensificou nas últimas semanas, provocou interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — corredor estratégico por onde transita cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
De acordo com dados atualizados da AAA (American Automobile Association), o preço médio da gasolina regular em Massachusetts atingiu US$ 3,31 por galão nesta segunda-feira (10), um aumento de cerca de 40 centavos em relação à semana anterior, quando a média era de US$ 2,91. Em algumas regiões metropolitanas, o valor é ainda mais elevado: Suffolk County registra média de US$ 3,42; Essex, US$ 3,36; e Middlesex, US$ 3,33. Os condados com os preços mais moderados no leste do estado são Bristol (US$ 3,23), Plymouth (US$ 3,26) e Norfolk (US$ 3,30).
No âmbito nacional, a média da gasolina regular subiu para cerca de US$ 3,47 a US$ 3,54 por galão (com variações diárias reportadas pela AAA entre US$ 3,45 e US$ 3,539 em 10 de março), representando um salto de mais de 15% em uma semana — o maior aumento semanal desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022. Massachusetts, contudo, permanece ligeiramente abaixo da média nacional, cerca de 16 centavos mais barata em comparação recente.
O principal motor dessa alta é o preço do petróleo bruto. O barril do Brent e do WTI (West Texas Intermediate) superou a marca de US$ 100 em vários momentos da semana, com picos reportados acima de US$ 114 em negociações recentes — níveis não vistos desde 2022. A escalada começou com relatos de ataques a instalações e navios, seguido pela paralisação parcial ou total do tráfego pelo Estreito de Ormuz, declarado zona de risco pela Guarda Revolucionária Iraniana. Produtores como Iraque, Kuwait e Qatar reduziram a extração diante da falta de escoamento, enquanto depósitos de armazenamento na região enchem rapidamente.
“Mesmo com produção doméstica robusta nos Estados Unidos e estoques confortáveis de gasolina, os preços no posto são fortemente influenciados pelo custo do petróleo bruto”, explica Mark Schieldrop, analista da AAA Northeast. “Questões globais de suprimento, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, geram pressão adicional sobre as exportações americanas, à medida que outros países buscam fontes alternativas para suprir suas necessidades energéticas.”
Dados da Administração de Informação de Energia (EIA) confirmam que a demanda interna por gasolina recuou ligeiramente na semana encerrada em 27 de fevereiro, para 8,29 milhões de barris por dia, enquanto os estoques no Nordeste subiram para 66,7 milhões de barris — acima da média de cinco anos. Apesar disso, o mercado reage mais ao risco geopolítico do que aos fundamentos de oferta e demanda.
Outros derivados de petróleo, como diesel e querosene de aviação, também registraram aumentos expressivos na semana passada. Analistas alertam que, se o conflito se prolongar e o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado ou com tráfego reduzido, os preços da gasolina podem testar patamares ainda mais elevados, reacendendo temores inflacionários e pressionando o consumo das famílias e o transporte de cargas.
Por ora, especialistas recomendam cautela aos motoristas: monitorar variações diárias via aplicativos como GasBuddy ou sites da AAA, optar por postos em condados mais baratos quando possível e considerar o impacto no orçamento familiar. A volatilidade deve persistir enquanto não houver sinais claros de desescalada na região.


